Breve História da Língua Hebraica

Breve História da Língua Hebraica

 

A confirmação de que o hebraico já era falado mesmo antes do período de escrita da Bíblia, é evidenciada pelas inscrições conhecidas como “cartas de Tel el Amarna[1], uma correspondência do séc. XIV a.C., que evidenciam que “o hebraico era falado na palestina antes mesmo da conquista israelita.” (BARROCAS, 2001, p. 30).

Antes mesmo das cartas de Amarna, há evidências do uso de uma língua semítica alfabética utilizada por escravos semitas nas minas de turquesa na Península do Sinai, c. séc. XVIII a.C.[2]

Os linguistas definem o hebraico como língua do ramo semítico cananeu, (semítico do noroeste)[3] uma subdivisão do ramo camito-semítico ou afro-asiático. De acordo com Barrocas (2001, p. 30):

 

“…sabe-se que as raízes da escrita hebraica se situam nos 27 signos que indicam as consoantes, que aparecem já nos séculos XVII e XVI a.e.c. e nos meados do século XI a.e.c., as formas das letras se estabilizaram e a escrita em linhas horizontais da direita para a esquerda se consolidou.”

 

Como pode ser visto na tabela A, o hebraico se utilizou de vários alfabetos em sua história, desde o alfabeto fenício (c. XI a.C.), o alfabeto assírio (após 586 a.C.), a escrita de Qumran (séc. IV-III a.C.) a escrita denominada Rashi (séc. XV)[4] , até a escrita cursiva (séc. XIX d.C.).

Em termos de história da língua propriamente dita, o hebraico foi falado pelo povo judeu, desde os tempos da conquista de Canaã (séc. XIII a.C.), até o período do cativeiro babilônico (586 a.C.), após o cativeiro, o aramaico se fixou como língua falada pelo povo judeu, e o hebraico era somente utilizado para a liturgia e a leitura da Bíblia.

Somente no século XIX, pelo esforço de Eliezer ben Yehuda (1858-1922), é que o hebraico voltou a ser língua falada pelos judeus, mantendo-se até hoje como língua oficial do Estado de Israel, juntamente com o árabe. Os períodos históricos do hebraico[5], podem ser definidos da seguinte forma:

 

  1. Hebraico Bíblico (1.500-200 a.C.)[6]
  2. Hebraico Mishnaico (200-500 d.C.)
  3. Hebraico Medieval (500-1780)
  4. Hebraico Moderno (1881-atual)

 

O hebraico falado hoje, em Israel[7], é uma língua de escrita semítica, com vocabulário, principalmente bíblico e mishnaico, com influências européias e inglesas, com sintaxe ocidental, e que é falado por cerca de 7 milhões de pessoas em Israel. Utiliza o mesmo alfabeto quadrático assírio, escrito da esquerda para a direita e sem vocalização.[8]

Aprendendo o alfabeto hebraico quadrático pode-se ler, tanto as escritas antigas do hebraico e aramaico bíblico, quanto a escrita moderna utilizada em Israel, portanto, exercite bem o alfabeto da tabela A abaixo e os exercícios de fixação.

[1] Escritas no idioma acadiano (babilônio), em escrita cuneiforme.

[2] Denominado de proto-sinaítico.

[3] No mesmo grupo estão o ugarítico, o fenício e o aramaico

[4] Essa escrita, é, na verdade, baseada na escrita cursiva sefaradita do séc. XV, e pensa-se que nunca foi realmente usada por Rashi, entretanto, é o nome utilizado para esse tipo de caligrafia hebraica.

[5] Aqui adotei somente as divisões maiores de cada período, excluindo as subdivisões.

[6] Subtendendo a escrita do Pentateuco por Moisés até os últimos escritos como Esdras e os profetas pós-exílicos. A divisão tradicional da academia define o hebraico bíblico começando em 1.000 a.C. até 200 a.C.

[7] É denominado de ivrit (hebraico).

[8] Exceto em caso de duplo sentido, em que a pontuação é utilizada para evitar dubialidades.

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