Partidos políticos-religiosos no período neotestamentário: aspectos linguísticos, políticos e religiosos

Partidos políticos-religiosos no período neotestamentário: aspectos linguísticos, políticos e religiosos

por

José Ribeiro Neto

Pastor da Igreja Batista do Vale, Vale das Virtudes, SP. Diretor Pedagógico do Seminário Teológico Batista Nacional Enéas Tognini. Doutorando e Mestre em Estudos Judaicos pela Universidade de São Paulo, Mestre em Teologia Bíblica do Antigo Testamento pelo Seminário Teológico Batista Nacional Enéas Tognini.

Introdução

             O debate sobre os partidos políticos-religiosos do período neotestamentário ainda está bem vivo e caloroso. A cada novo achado arqueológico e a cada novo estudioso que se debruça sobre o período se abrem novas janelas e a visão que temos do período vai ou se tornando mais clara ou ainda mais conturbada. É notório, contudo, que muitas concepções antigas do período tiveram que ser revistas pela luz das novas pesquisas e achados.

Outrora se pensava que pequenos grupos sociais não tinham importância histórica em eventos de proporções maiores e mais significativas. A história era lida somente na perspectiva dos grandes historiadores clássicos e da visão dos vencedores. Essa perspectiva começou a mudar a partir do momento em que se notou a grande importância dos pequenos grupos sociais e os efeitos de seus comportamentos e ações refletindo nos eventos mais significativos da história. Começa-se a estudar então os vencidos, os grupos sociais mais desprivilegiados e esquecidos pelas grandes narrativas.

Achados arqueológicos que antes eram vistos como insignificantes agora são importantes em cada um de seus detalhes, a arqueologia passa dos imensos monumentos para o DNA e a visão microscópica passa a revelar detalhes antes esquecidos pelos historiadores. Agora, na perspectiva da análise histórica importam tanto os grandes monumentos como um fio de cabelo ou uma peruca. Assim como as grandes narrativas, pequenos pergaminhos, textos e fragmentos de texto podem contar histórias esquecidas pelos clássicos e pela perspectiva dos vencedores.

Nesse debate, de pequenos grupos e textos esquecidos, se inserem os estudos dos partidos políticos religiosos do período neotestamentário, campo de pesquisa cada vez mais presente nos estudos de eruditos católicos, protestantes e judeus, agora não mais isolados dentro de suas tradições religiosas, mas num intercâmbio de informações e debates que têm procurado esclarecer questões antigas e também levantados novas questões pertinentes a esse campo estudos.

Dentro desse amplo debate procuraremos delinear os principais documentos, estudiosos e grupos do período neotestamentário importantes tanto para o estudo da Teologia do Novo Testamento, da Teologia do Novo Testamento, bem como para uma visão mais ampla da Teologia da Educação Religiosa.

  1. Fontes primárias importantes para o estudo:

  Em ordem de data temos alistadas abaixo as principais fontes primárias para o estudo do ambiente político-religioso e linguístico do ambiente neotestamentário:

Textos de Qumran – entre 250 a.C. a 68 d.C.

Importante fonte de pesquisa do ambiente histórico interbíblico e neotestamentário, além de ter paralelos com a literatura rabínica e com o Novo Testamento é grande fonte de pesquisa para a história da formação do cânon, história da língua hebraica e aramaica, visão messiânica e transmissão do texto bíblico.

Escritos Apócrifos do AT (principalmente séc. II a.C.)

Embora não sejam fontes autoritativa de doutrina os escritos apócrifos podem ajudar no levantamento histórico-social e teológico do ambiente da época do período interbíblico que vai desde 400 a.C. a 30 d.C.

Filo de Alexandria (20 a.C. – 50 d.C.)

Filo é fonte importante tanto para o ambiente do período interbíblico quanto para o início do período neotestamentário. Em seus escritos encontramos grande presença de interpretação helenística alexandrina.

Flávio Josefo (37-100 d.C.)

Josefo é reconhecida fonte histórica e em muitas questões não temos outros escritos que relatem os eventos que ele descreve.

Novo Testamento (50-100 d.C.)

Embora rechaçado por vários tipos de crítica o Novo Testamento deve ser visto como fonte histórica confiável para descrever o ambiente histórico-cultural-teológico do período do primeiro século .

 Papiros de Oxyrhynchus[1] (séc. I a VI d.C.)

Na cidade egípcia de Oxirrinco (do grego Ὀξύρρυγχος = nariz fino ) atual el Bahnasa foram encontrados, entre 1896-1897, diversos papiros em um depósito de lixo próximo a essa cidade. Os achados são principalmente de pergaminhos e constituem fonte importante de pesquisa de vários documentos gregos que vão desde o século I até o século VI d.C.

Pais Apostólicos[2] (séc. II d.C.)

Por serem mediadores entre os apóstolos e a nova geração da Igreja Cristã, os Pais Apostólicos oferecem grande fonte de pesquisa para a pesquisa sobre o ambiente histórico neotestamentário e pós apostólico.

 Mishná (220 d.C.)

Sendo uma obra de produção farisaica de proximidade histórica ao NT é de grande importância como fonte para as pesquisas linguísticas, teológicas e sócio-históricas do período neotestamentário e pós 70 d.C.

Escritos Apócrifos do NT (principalmente séc. II e III d.C.)

Há uma grande quantidade de documentos não canônicos produzidos no segundo e principalmente terceiro século d.C. embora não tenham validade autoritativa de doutrina e fé, são importantes para entender o ambiente neotestamentário e pós apostólico, principalmente no que diz respeito às principais correntes sectárias que surgiram no período neotestamentário e como essas correntes se desenvolveram posteriormente.

 Talmude (500-800 d.C.)

                À mishná (מִשְנָהָ)[3] se acrescentaram comentários, chamados de

Guemará que são os comentários de vários rabinos, a guemará (גְּמָָרָא)[4]  mais a mishná é o Talmude[5]. É importante para o entendimento dos métodos de intepretação utilizados no NT e também para entendimento do ambiente sócio-histórico-teológico neotestamentário. Contêm tradições muito antigas, anteriores e posteriores ao NT.

             Nenhuma dessas obras pode ser analisada isoladamente como fonte infalível de referência histórica-social-teológica (como muitas vezes é feito). Devem ser analisadas intertextualmente e com auxílio dos novos estudos e achados, para que se tenha uma visão ampla e menos parcial da historiografia do período neotestamentário. Valorizar demais qualquer dessas fontes isoladamente é fazer uma pesquisa pouco acadêmica e falha.

  1. Principais estudiosos que se dedicaram a estudar o período neotestamentário[6]:

Também organizado em ordem de data, temos abaixo os principais estudiosos que se dedicaram aos aspectos políticos-religiosos e linguísticos do ambiente neotestamentário:

MOULTON, James Hope (1906)[7] – faz uma abordagem histórica do Novo Testamento Grego não mais como uma língua espiritual, um grego do Espírito Santo, mas um grego do povo usado pelo Espírito Santo para transmitir a Palavra de Deus.

ROBERTSON, A. T. (1919) – fez uma pesquisa abrangente do grego do NT ainda não superada, é largamente citado por diversos autores tanto estudiosos do NT quanto autores seculares que estudam o grego clássico.

SEGAL,  M. H. (1957, 2001) – Professor na Universidade Hebraica de

Jerusalém (falecido em 1968), fez diversas pesquisas em nos textos da Mishna e Talmud, bem como um dicionário de hebraico-inglês, sua pesquisa é importante para os estudos do aramaico e hebraico do período neotestamentário e posterior.

JEREMIAS, Joachim (1980, 1990) – conhecido estudioso de línguas bíblicas principalmente com foco no ambiente histórico, social, teológico e linguístico do NT. Embora de forte influência liberal, Jeremias é fonte importante      de    pesquisa          principalmente            linguística       nos      estudos neotestamentários.

VERMES, Geza (1996)[8] – Tendo participado ativamente nos achados dos manuscritos do deserto da Judeia (popularmente conhecidos como Manuscritos do Mar Morto). Vermes desenvolveu estudos valiosos para a compreensão do ambiente literário, social, linguístico e teológico do NT, bem como a origem judaica de Jesus.

SCARDELAI, Donizete (1998, 2008) – desenvolve uma pesquisa abrangente sobre os partidos políticos religiosos da época de Jesus, principalmente os aspectos messiânicos de tais partidos, bem como de outros grupos anarquistas do período neotestamentário.

SCMIDT, Francis (1998) – faz um pesquisa da historiografia judaica e cristã a respeito do tema história dos judeus, situa sua pesquisa desde o ano 200 a.C. a 70 d.C. estendendo até 135 d.C. em alguns casos. Utiliza o conceito do templo como conceito simbólico que unia os grupos judaicos no período interbíblico e neotestamentário.

HANSON, John S. (2000) e HORSLEY, Richard A. (2000, 2007) – fazem uma pesquisa abrangente sobre os vários movimentos de bandidos, profetas e messias do período neotestamentário. Uma obra importante para entender os vários movimentos e o ambiente sócio-cultural do período.

FLUSER, David (2001) – Pesquisado judeu do Novo Testamento busca estabelecer a origem judaica do cristianismo, suas fontes e intertextualidade. Procura nos textos do Novo Testamento elementos que se assemelham a textos da tradição judaica e também aos textos de Qumran.

SKARSAUNE, Oskar (2004) –  Pesquisador protestante que faz uma abordagem histórica da formação do cristianismo e a relação com os vários movimentos religiosos da época neotestamentária.

Como em toda pesquisa acadêmica séria, todos esses autores deve ser estudados em conjunto e com a prudência de entender que todas essas pesquisas são ainda incipientes, muitos debates ainda estão em aberto, pois embora já se tenha avançado nas últimas décadas na pesquisa do período intertestamentário e neotestamentário, estamos engatinhando no entendimento desse período tão controverso da história.

 

3. O período interbíblico e o surgimento dos partidos políticoreligiosos neotestamentários

  Não é fácil traçar a história do surgimento dos diferentes grupos sociais do NT e dos partidos políticos-religiosos do período. A literatura é escassa e imprecisa, mas devemos estar cientes que a simples existência desses vários grupos nos proíbe entender um só tipo de judaísmo, mas sim, judaísmos presentes principalmente até o período da destruição do segundo templo em 70 d.C., de acordo com Schmidt (1998, p. 36):

A questão de saber quando começa o judaísmo é sempre atual. Para uns, começa depois do exílio. Para outros, o nascimento do judaísmo é contemporâneo das primeiras comunidades cristãs. Tal é a tese defendida especialmente por Jacob Neusner.

Contudo, se há um ponto em que toda a historiografia – tanto antiga como moderna, judaica como cristã – concorda é que os acontecimentos de 70 e de 135 constituíram um corte na história do judaísmo antigo. No entanto, as apreciações divergem consideravelmente quando se trata de avaliar a importância e a natureza exata desse corte. Trata-se de um corte total entre o antes e o depois, marcando o fim do judaísmo, como ilustra o frontispício da História dos judeus de Prideux? Ou marcando seu início? Trata-se, ao contrário, de uma simples fase transitória?

Quando abrimos as páginas do Novo Testamento, encontramos os mais diferentes estratos sociais, alguns já presentes no Antigo Testamento, outros, simplesmente surgem sem serem explicadas as suas origens, no quadro abaixo podemos vislumbrar os vários grupos sociais citados no NT:

ESTRATOS SOCIAIS NO NT[9]

Estratos Referências
   
Israelita verdadeiro (praticante) Jo 1.47
Anciãos Mt 15.2; Mc 8.31; At 20.17
Levitas Lc 10.32; Jo 1.19; At 4.36
Sacerdotes Mt 2.4; 16.21; Jo 19.6
Sumo Sacerdote Mt 26.3, 57; At 4.6; 7.1; 23.7-8
Prosélito Mt 23.15; At 2.10; 6.5; 13.43
Escribas Mt 2.4; 5.20; 8.19; At 4.5
Fariseus Mt 3.7; 5.20; At 23.7-9
Saduceus Mt 3.7; 16.11-12; At 5.17; 23.7-8
Publicanos         (cobradores         de

impostos)

Mt 5.46; 9.10-11; Lc 5.25; 19.2
Zelotes Lc 6.15*; At 1.13
Herodianos Mt 22.16; Mc 3.6; 12.13
Concílio (conjunto formado pelo Sumo Sacerdote, sacerdotes,

anciãos e mestres da Lei)

Mt 26.59; Mc 14.55; Lc 22.66; At

4.5-6; (…)

Pescadores Mt 4.18-19; Lc 5.2
Lavradores Mt 21.33; Jo 15.1; 2 Tm 2.6; Tg 5.7
Pastores Mt 9.36; Lc 2.8-20; Jo 10.1-16
Soldados Mt 8.9; Jo 19.24; At 12.4
Esportista I Co 9.24-26; 2 Tm 2.5
Prostitutas Mt 21.31-32; I Co 6.15-16
Escravos Jo 8.35; I Co 7.21-22
O Povo Mt 9.36; 14.5; Mc 10.1; Lc 13.17; At 2.47

 Estes vários estratos sociais e outros nos mostram o grande turbilhão político, religioso e social que estava presente na época de Jesus e nos períodos subsequentes, culminando em diversos conflitos que contribuíram para a extinção e espalhamento desses grupos por todos os lugares do Império e também para a difusão do Evangelho nos mais longínquos territórios do mundo conhecido naquele período. Para entender o esse ambiente conflitante analisaremos brevemente os principais grupos e personagens atuantes no período.

 

4. Profetismo,            banditismo    e          messianismo no        período neotestamentário[10]

 

Três principais grupos tiveram impacto na história políticareligiosa do período neotestamentário, são eles os grupos proféticos, bandidos e messiânicos, cada um com seus líderes que com maior o menor sucesso, mudaram o cenário do ambiente social do período neotestamentário e pós-testamentário.

 

4.1 Profetas

  O profetismo é largamente estudado nas pesquisas sobre a teologia e história do Antigo Testamento[11].  Na Bíblia Hebraica, são considerados profetas: Abraão, Moisés e os livros que vão desde Josué até Malaquias estão inseridos na porção chamada de  נבְִיִאִים (nevy’iym = profetas)[12]. Após a volta do cativeiro, contudo, vemos cessar os textos proféticos e crescer um movimento mais apocalíptico, esse cessar profético nos é descrito com clareza no livro de I Macabeus[13]:

Puseram-se, então, a discutir a respeito do altar dos holocaustos que fora profanado, e tiveram a idéia de destruí-lo. Assim não ficaram envergonhados pelo fato de os pagãos o terem profanado. Demoliram o altar, e puseram as pedras no monte do Templo, num lugar conveniente, até que aparecesse um profeta e resolvesse o caso[14]. (I Macabeus 4.44-46)

Israel caiu numa tribulação tão grande, como nunca tinha havido, desde que os profetas desapareceram.[15] (I Macabeus 9. 27)

Os sacerdotes e os judeus resolveram, portanto, considerar Simão como governante e como sumo sacerdote para sempre, até que surgisse um profeta legítimo[16]. (I Macabeus 14.41)

Nos relatos do Novo Testamento João, o Batista é considerado profeta, o percursor do Messias, o Elias esperado, conforme vemos na passagem nos relatos dos evangelistas. Nos relatos de Josefo há numerosas figuras proféticas[17], mas nenhum deles é visto como Elias, precursor escatológico dos dias do Messias (Horsley; Hanson, 1995, p. 125). Haviam sim muitos profetas populares advindos dos meios sociais mais simples como dentre os camponeses[18], de acordo com Horsley e Hanson (1995, p. 125):

Os profetas populares judeus do século I da nossa era parecem, antes, ser um renascimento de certos tipos de profetas transmitidos na tradição bíblica. Tanto os profetas oraculares quanto os movimentos populares liderados por profetas de ação são formas sociais características da sociedade judaica.

Abaixo veremos brevemente alguns dos profetas surgidos no período neotestamentário e que causaram grande impacto social e político em sua época.

João Batista (final da década de 20 d.C.)

11 Ἀμὴν λέγω ὑμῖν, οὐκ ἐγήγερται ἐν γεννητοῖς γυναικῶν μείζων Ἰωάννου τοῦ βαπτιστοῦ. Ὁ δὲ μικρότερος ἐν τῇ βασιλείᾳ τῶν οὐρανῶν μείζων αὐτοῦ ἐστιν. 12  Ἀπὸ δὲ τῶν ἡμερῶν Ἰωάννου τοῦ βαπτιστοῦ ἕως ἄρτι ἡ βασιλεία τῶν οὐρανῶν βιάζεται, καὶ βιασταὶ ἁρπάζουσιν αὐτήν. 13  Πάντες γὰρ οἱ προφῆται καὶ ὁ νόμος ἕως Ἰωάννου προεφήτευσαν· 14καὶ εἰ θέλετε δέξασθαι, αὐτός ἐστιν Ἠλίας ὁ μέλλων ἔρχεσθαι .

11 Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. 12 E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele. 13 Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João. 14 E, se quereis dar crédito, é

este o Elias que havia de vir. (Mt 11.11-14 ACF)

  A narrativa é clara em identificar João como o Elias anunciado, precursor do Messias, mas também é visto como um elemento de transição entre a antiga aliança e a nova aliança, pois na nova ele é o menor do Reino. A caracterização de João feita pelos evangelistas nos mostram paralelos com o ambiente cultural de Israel e as expectativas messiânicas do povo desde as épocas do pós-exílio até o período neotestamentário.[19] De acordo com Scardelai (1998, p. 310)

Já era muito conhecido o papel do deserto nas tradições religiosas de Israel. Desde o limiar da história, ele foi associado ao longo processo de libertação do povo hebreu do Egito. A travessia do deserto significou para Israel um processo da busca incansável da identidade nacional que constituiria o povo hebreu. Durante os tempos tardios do fim do período do Segundo Templo o deserto exerceria fascínio ideológico sobre a tipologia profética popular, fazendo surgir em cena a figura do líder com acentuado líder carismático.

Outros profetas além de João são conhecidos no período neotestamentário:

O Samaritano (c. 26-36 d.C.) – Citado em por Josefo em Antiguidades 18.85-87 como um “…um homem que não tinha escrúpulos em praticar fraudes e livremente lançava mão delas para agitar a multidão…”[20]. Nesse mesmo relato é dito que Pilatos, percebendo a gravidade e grandeza do movimento agiu rapidamente com sua infantaria e cavalaria armada, acabou com o movimento, dispersou alguns, matou outros, fez outros como escravos e mandou executar os cabeças do movimento.[21]

Teudas (c. 45 d.C.) – A existência dessa personagem é confirmada tanto pelo NT (At 5.36) quanto por Josefo (Antiguidades 20.97ss, aqui Josefo diz: γόης τις ἀνὴρ Θευδᾶς ὀνόµατι um encantador (charlatão, enganador) um certo homem de nome Teudas…;  5.1-2)[22].

O Egípcio (c. 56 d.C.) – Descrito por Josefo em Antiguidades 20.169172, aqui Josefo diz:

ὁ δ᾽ Αἰγύπτιος αὐτὸς διαδρὰς ἐκ τῆς μάχης ἀφανὴς ἐγένετο πάλιν…

Mas o Egípcio tendo escapado da batalha não apareceu novamente

(ou veio a estar escondido)… ;

Em Guerras Judaicas 2.261-263 é descrito por Josefo como:

ὁ Αἰγύπτιος ψευδοπροφήτης…

O Egípcio, falso profeta…

 No relato de Lucas, Paulo é confundido com o Egípcio:

Οὐκ ἄρα σὺ εἶ ὁ Αἰγύπτιος ὁ πρὸ τούτων τῶν ἡμερῶν ἀναστατώσας καὶ ἐξαγαγὼν εἰς τὴν ἔρημον τοὺς τετρακισχιλίους ἄνδρας τῶν σικαρίων; (At 21.38)

Não és tu, porventura, o Egípcio o que antes destes dias fez um distúrbio e conduziu ao dezerto quatro mil dos sicários?

Jesus, filho de Ananias (62-69 d.C.) – A esse profeta Josefo dedica um grande relato em Guerras Judaicas 6.300-309 – É dito por Josefo que este era um camponês de classes inferiores, que vindo à festa das cabanas, de repente começa a clamar “uma voz do oriente, uma voz do ocidente, uma voz dos quatro ventos; uma voz contra Jerusalém e o templo, uma voz contra esposos e esposas, uma voz contra todo o povo”. Diz Josefo que perambulava de dia e de noite perturbando a todos até que as autoridades o prenderam, açoitaram-no “até os ossos” e ele não reclamava nem chorava, achando que era louco soltaram-no e ele continuou seu clamor por sete anos e cinco meses, só parou quando viu suas profecias serem realizadas no início do cerco. Segundo Josefo uma máquina de arremesso de pedras atingiu e matou-o instantaneamente.[23]

 

4.1 Bandidos

De acordo com Horsley e Hanson (2007, p. 63):

…sob o império persa e o helenístico, toda a sociedade teve de pagar um certo valor de tributo à administração imperial. É provável que este fosse cobrado por taxação adicional sobre os dízimos e sacrifícios básicos. Sob os selêucidas, o total do tributo havia sido um terço dos cereais e a metade do vinho e do óleo. Mas sob o regime nativo asmoneu provavelmente as obrigações globais dos produtores judeus foram reduzidas. Por isso foi uma dramática mudança de circunstâncias quando Roma conquistou a Palestina judaica e a submeteu ao tributo. Agora o tributo romano era sobreposto aos dízimos e outros impostos devidos ao templo e ao sacerdócio.

Evidente que a opressão de impostos acabou por gerar grande descontentamento entre as mais diversas classes sociais, principalmente as menos desfavorecidas e já oprimidas pelas classes mais privilegiadas. Além das cargas já impostas pelos de sua própria nação agora uma nação estrangeira acrescentava mais cargas opressoras, tanto psicologicamente quanto fisicamente. Tal ambiente conduziu logicamente a revoltas as mais diversas e dentre essas revoltas surgiram os movimentos de bandidos que incitavam o povo à revolta contra Roma.

Os principais líderes desses movimentos surgidos no período neotestamentário são os seguintes: Ezequias (c. 47-38 a.C.); Salteadores Galileus das cavernas (década de 30 d.C.); Eleazar bem Dinai (c. 30-50 d.C.); Tolomau (início da década de 40 d.C.); Jesus, filho de Safias (década de 60 d.C.); João de Gíscalia (66-? d.C.).

A pesquisa sobre esses movimentos é difícil de se fazer, tendo em vista que os próprios protagonistas dessas revoltas não terem deixado documentos escritos para que tenhamos a visão histórica de sua perspectiva. Os relatos que temos os citam de forma breve e tendenciosa, logo que eram movimentos opositores do Império e, evidentemente, vistos como hostis e perturbadores da ordem social estabelecida. Josefo é a principal fonte de pesquisa sobre esses movimentos, mas sua abordagem do tema é preconceituosa e comprometida por sua apologia a Roma e seus desafetos pessoais com alguns desses líderes, Horsley e Hanson (2007, p. 13-14) nos diz o seguinte sobre a visão de Josefo:

Certos aspectos literários das obras de Josefo também dificultam o uso do seu material. Tanto a Guerra Judaica  quanto as Antiguidades Judaicas seguem modelos literários e cada uma delas contém alusões ocasionais a autores notáveis. Estes dois aspectos, entre outros, servem para realçar a posição de Josefo como autor e apologista. Mas, ao mesmo tempo, tendem a obscurecer, intencionalmente ou não, exatamente aquilo que queremos descobrir. Por exemplo, conforme já foi assinalado há muito tempo, a descrição de João de Gíscala, importante para o presente estudo (ver capítulo 5), parece fortemente influenciada pela caracterização de Catilina por Salústio, apesar do fato de Josefo ter tido relações diretas com João, por quem nutria profunda aversão. Para complicar ainda mais a nossa leitura de Josefo, embora isso não constitua um problema especial nos capítulos seguintes, há o fato de que uma comparação da Guerra, das Antiguidades e da Vida, altamente apologética, revela muitas contradições e diferenças de ênfase, algumas das quais afetam diretamente o nosso material.

Como já dito anteriormente, não se pode utilizar o material de Josefo indiscriminadamente, assim como outros materiais da antiguidade, Josefo representa a narrativa do ponto de vista do opressor e faz ardente apologética ao império romano, logo, qualquer movimento, seja de bandidos, profetas ou messias, geralmente, serão visto por ele como movimentos de enganadores. Contudo, nem sempre era assim visto pelo povo, já que muitos desses movimentos envolveram grandes parcelas da população descontente com a opressão do império e prontas para exercer alguma ação que viesse a mudar a situação.

 

4.2 Os Messias do período neotestamentário

  Além de Jesus, são conhecidos outros pretensos messias no período neotestamentário, anteriores e posteriores à destruição de

Jerusalém no ano 70 d.C. São eles: Judas, filho de Ezequias (c. 4 a.C.);

Simão (c. 4 a.C.); Atroges (c. 4-2 a.C.); Manaém, filho de Judas, o Galileu (c. 66 d.C.); Simão bar Giora (68-70 d.C.); Andreas Lukuas (114-

117 d.C.); Bar Kokhva (132-135 d.C.).

Esses muitos pretensos messias mostram-nos evidências de que a esperança [24]messiânica era algo latente na sociedade judaica dos primeiros séculos d.C. Ou seja, Jesus foi visto por muitos como simplesmente mais um messias e por isso muitos tiveram dificuldades em aceita-lo como O Messias. Sobre o cenário propício ao aparecimento de personagens messiânicas nos diz Scardelai (1998, p. 111):

O presente cenário, composto de incertezas e de instabilidade político-social em Israel, que transcorre de Judas Galileu até Bar Kokhba (6-135 d.C.), fez emergir uma longa seqüência de movimentos populares revolucionários, fomentando assim a vida urgente de figuras carismáticas diversas. Levados pelas crises emergentes e pela fragilidade política local do momento, muitos usufruíram de seus talentos pessoais para exercerem seu poder de adestramento ideológico sobre uma massa desesperada que se encontrava à mercê de nova ordem social. Apesar de líderes populares empenhados na causa nacional por motivos religiosos, não faltaram até mesmo aventureiros e charlatões que se viam incumbidos da missão de livrar Israel da vil e odiosa ocupação pagã romana.

Se não fosse o impacto da pessoa e obra de Jesus sobre a vida dos discípulos e a continuação da herança messiânica na formação de líderes e discípulos, Jesus seria somente mais um dos muitos pretensos messias que surgiram na história do período neotestamentário.[25]

 

5      Os partidos políticos religiosos

  Muitos novos achados no século XX como os manuscritos do deserto da Judeia, conhecidos como Manuscritos do Mar Morto, alguns documentos em língua copta encontrados em Nag Hamad no Egito, o recente achado da tumba de Herodes em 2007, pesquisas recentes e novas abordagens a respeito do período neotestamentário tem desfeito algumas injustiças e entendimentos errôneos que já perduravam por séculos sobre o ambiente sócio, cultural, político, linguístico e religioso do período. Embora não podemos dizer que entendamos todos os aspectos e ainda não podemos responder a todos os questionamentos sobre os partidos políticos religiosos do período neotestamentário, podemos sim afirmar que temos mais elementos arqueológicos e documentais para refletir essa época tão importante para os estudos vetero e neotestamentários.

 

5.1 Fariseus

Sobre as origens históricas dos fariseus nos diz Scardelai (2008, p. 118-119):

O termo “fariseu”, proveniente do hebraico parush [26](“separado”), é uma atribuição que ganhou força na forma de movimento sócio-religioso de judeus em distinção do clero do Templo de Jerusalém, formado de saduceus, os principais adversários dos fariseus. No tenso ambiente social da Judéia do final do Segundo Templo, os fariseus representam os maiores rivais dos saduceus. Mas, ao contrário dos separatistas essênios, os fariseus buscaram conquistar o apoio popular mediante a interpretação das leis mosaicas, cuja finalidade era fazer muitos discípulos. Foi apenas no fim do reinado do asmoneu João Hircano (134104 a.C.) que estourou o conflito mais direto entre os fariseus e a classe sacerdotal dos saduceus. Esse conflito atingiu seu ápice no tempo do rei e sumo sacerdote asmoneu Alexandre Janeu, que reinou entre 103 e 76 a.C. O grupo farisaico deve suas origens históricas ao meio leigo da classe média, emergente no processo de renovação religiosa e nacional judaica logo depois da revolta dos Macabeus.

Enquanto os saduceus se associaram à elite governamental asmoneana, ligada ao poder por laços sanguíneos, os fariseus se associaram à classe média leiga e ao povo, de modo que para ser saduceu era necessário ter linhagem nobre, enquanto que para ser fariseus simplesmente era necessário ser discípulo. Com essa incorporação farisaica às classes populares e média leiga, o farisaísmo conquistou respeito e muitos seguidores por causa dessa visão mais popular e a oportunidade que deu a pessoas que não eram de nobre estirpe de fazerem parte de um grupo respeitado pela ambiente social de sua época. Narrando a origem da ascensão farisaica Dana (1980, p. 71) traça a história da seguinte forma:

Após a morte de Aristóbulo, seu irmão Alexandre Jannaeus sucedeu-o no trono. A feição visivelmente grega do seu nome constituía indício seguro da direção de suas simpatias. Desprezou os fariseus e de tal modo acrirrou-lhes o ódio que o atacaram numa certa ocasião em que se achava no templo ministrando. Em desagravo a tamanho insulto, Alexandre exterminou seis mil patriotas nas ruas de Jerusalém. Mas esta política complicou de tal maneira o período restante do seu reinado que chegou a aconselhar sua esposa e sucessora Alexandra, a fazer causa comum com os fariseus. (…)

A rainha Alexandra aceitou o conselho do esposo, levando imediatamente ao poder os fariseus. Colocou como primeiro ministro do reino seu irmão Simão ben-Shetach, e chamou de Alexandria outro hábil judeu, chamado Judá benTabbai. Ambos estes líderes eram judeus apaixonados. A supervisão do sinédrio foi destinada aos fariseus, sendo por eles elaboradas reformas radicais. Sob o regime de Alexandra conquistaram um lugar de supremacia tal que ainda hoje o mantêm.

Para manterem uma uniformidade de pensamento o farisaísmo aproveitou tradições já presentes na herança da tradição judaica antiga e desenvolveu novas tradições, mais que isso, os fariseus passaram a ser os intérpretes autorizados do texto e desenvolveram um sistema de ensino bem desenvolvido de modo que transmitiram essa tradição aos seus discípulos de uma forma tão eficiente que perdura até os nossos dias.   Muitas injustiças históricas se formaram na visão cristã sobre os fariseus devido às más interpretações do Novo Testamento e às acusações de que os autores neotestamentários escreveram por motivos de disputas com os fariseus. Nenhuma dessas afirmações têm evidências escriturística, são sim, visões particularizadas e um entendimento pouco aprofundado dos autores e escritos neotestamentários.

É notório que os fariseus constituíam os principais oponentes de Jesus nos Evangelhos, contudo, entender isso como propaganda dos autores ou antissemitismo é anacrônico. É o mesmo que achar que Hilel e Shamai eram ramos sectários do judaísmo e que cada um representa uma propaganda sectária de um grupo judaico.

Ao lermos os escritos judaicos tais como Mishná, Talmud, Midrash e outros escritos, percebemos que havia amplos debates entre os grupos sem que houvesse divisão entre eles. Nos escritos rabínicos são colocadas diversas opiniões divergentes sobre os diversos assuntos e nem por isso constituíam propaganda sectária.

Mesmo no Novo Testamento, grupos tão divergentes como fariseus e saduceus faziam parte de uma importante instituição legal chamada de Sinédrio, assim lemos nas páginas do NT:

E, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus, que vinham ao seu batismo, dizia-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? (Mt 3.7)

 E, CHEGANDO-SE os fariseus e os saduceus, para o tentarem, pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal

do céu. (Mt 16.1)

 E Jesus disse-lhes: Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus. (Mt 16.6)

 Como não compreendestes que não vos falei a respeito do pão, mas que vos guardásseis do fermento dos

fariseus e saduceus? (Mt 16.11)

 E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar. (Mt 22.34)

 

  • E Paulo, sabendo que uma parte era de saduceus e outra de fariseus, clamou no conselho: Homens irmãos, eu sou fariseu, filho de fariseu; no tocante à esperança e ressurreição dos mortos sou julgado.
  • E, havendo dito isto, houve dissensão entre os fariseus e saduceus; e a multidão se dividiu.
  • Porque os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito; mas os fariseus reconhecem uma e outra coisa.
  • E originou-se um grande clamor; e, levantando-se os escribas da parte dos fariseus, contendiam, dizendo: Nenhum mal achamos neste homem, e, se algum espírito ou anjo lhe falou, não lutemos contra Deus.

(At 23.6-9)

Essas passagens citam fariseus e saduceus juntamente, evidenciando que esses grupos, apesar de opositores entre si, constituíam e conviviam normalmente dentro do ambiente sócio cultural neotestamentário.

O grupo de Jesus era mais um grupo dentro desse ambiente sóciocultural, mas embora houvesse divergência, havia convivência, como sempre encontramos em comunidades judaicas em todos os tempos, inclusive na atualidade. Essas passagens podem aparentar uma oposição ferrenha e propagandista contra os fariseus, embora não aceite as descrições dos evangelhos sobre os fariseus Miranda e Malca (2001, p. 30) nos dão valiosas informações sobre o debate entre Jesus e os fariseus:

Jesus deve ter criticado, em várias ocasiões, os fariseus ou o comportamento de determinados fariseus. É possível e provável. A recíproca deve ser verdadeira. Mas a divergência de opiniões dentro do judaísmo não significava apartar-se dos conceitos judaicos. As críticas dos profetas judeus a seus contemporâneos foram muito mais fortes do que as atribuídas a Jesus contra os diversos grupos do judaísmo de seu tempo (escribas, saduceus, fariseus, doutores da Lei…) e nem por isso significaram afastamento, cisma ou divisão religiosa.

Skarsaune (2004) chega até a sugerir que o próprio Jesus poderia fazer parte do grupo de fariseus e que as discussões de Jesus com o grupo seria uma espécie de discussão interna, comum no ambiente judaico do primeiro século e de séculos posteriores. No próprio Talmude Babilônico temos uma crítica a certos tipos de fariseus:

E a praga dos fariseus etc Nossos rabinos ensinaram: Existem sete tipos de fariseus: o fariseu shikmi, o fariseu nikpi, o fariseu kizai, o “pilão” fariseu, o fariseu [que constantemente exclama] “O que é meu dever que eu possa realizá-la? “, o fariseu de amor [de Deus] e do fariseu do medo. O fariseu shikmi – ele é quem executa a ação de Shechem. O fariseu nikpi – ele é quem bate os pés together. O fariseu kizai – R. Nahman b. Isaac disse: Ele é aquele que faz seu sangue a fluir contra walls. O ‘pilão’ fariseu – Rabá b. Shila disse: [a cabeça] é curvada como [um pilão em] uma argamassa. O fariseu, [que constantemente exclama] “O que é meu dever para que eu possa realizá-la?” – Mas isso é uma virtude! – Não, o que ele diz é: ‘O dever ainda é para mim para que eu possa realizá-la ‘ O fariseu do amor e do fariseu do medo? – Abaye e Raba disse ao tanna [que estava recitando esta passagem], não mencionar “o fariseu de amor e o fariseu do medo ‘; para Rab Judá disse em nome de Rab: Um homem deve sempre envolver-se na Torá e os mandamentos, mesmo que não seja para seu próprio bem, porque a partir de  [engajar neles] não para seu próprio bem, ele virá [em praticá-las], para seu próprio bem. R. Nahman b. Isaac disse: O que está oculto é oculto, e o que é revelado é revelado, o Tribunal Grande será a punição exata de quem esfregar-se contra as paredes. (Talmude Babilônico Sotah 22b)[27]

Que sempre houve tipos problemáticos dentro da comunidade judaica não é novidade, mas interpretações distorcidas de muitos pais da igreja e antissemitismo da igreja dos séculos posteriores acabaram por fixar uma visão distorcida dos fariseus que perdura até hoje, contudo, os fariseus foram homens que perpetuaram um legado de ensino religioso, transmissão das tradições e debate aberto no judaísmo, sem precedentes. Claro que tiveram que elaborar seus discursos religiosos para manter viva as tradições que receberam e não se deve confundir judaísmo moderno com a religião de Israel no AT. São um grupo religioso com suas visões particulares do AT e com suas tradições interpretativas que moldaram o que é chamado de judaísmo rabínico.

 

5.2  Saduceus

 Os saduceus são os principais inimigos dos fariseus, exceto é claro os samaritanos, que nem eram incluídos em debates pois nem eram considerados judeus. Os saduceus faziam parte da elite social sacerdotal, são chamados por Josefo de ‘escola sacerdotal’ ou filosofia dos judeus, sobre os saduceus nos diz Josefo:

De acordo com os saduceus, a alma perece juntamente com o corpo. Não guardam nenhum tipo de observância, senão as leis; de fato, têm como virtude disputar com os mestres da vereda de sabedoria que eles perseguem. A poucos homens foi revelada essa doutrina; todavia, tais homens ocupam elevada posição. Não obstante, é quase nada o que fazem, pois sempre que se incumbem de algum ofício, embora a ele se submetam relutantes e forçosamente, eis que sucumbem às fórmulas dos fariseus, uma vez que de outra forma as massas não os tolerariam (Antiguidades 18.16-17).

Os saduceus […] aboliram o Destino [providência divina] completamente, e deslocaram Deus para bem longe, e não somente da perpetração, como da própria visão do mal. Afirmam que o homem tem livre-arbítrio para escolher entre o bem e o mal, e que depende de cada um seguir este ou aquele. Com relação à subsistência da alma depois da morte, castigos no submundo e recompensas, não crêem em nada disso […] Ai está o que tenho a dizer sobre as escolas filosóficas dos judeus (Guerras judaicas 2.164-66)[28]

 Nos textos do NT já citados sobre os fariseus percebemos que as mesmas informações teológicas a respeito dos saduceus nos é dada por Josefo. Entretanto, na descrição de Josefo a abordagem que faz dos grupos judaicos está mais ligada a uma cosmovisão grega, já que os chama de escolas filosóficas dos judeus (Ἰουδαίοις φιλοσοφούντων). Também a respeito da teologia dos saduceus Josefo utiliza-se de um conceitos gregos para explicar o pensamento farisaico, da subsistência da alma (προσιέναι ψυχῆς), castigos e recompensas do Hades (ᾅδου τιµωρίας καὶ τιµὰς). Escrevendo para uma cultura Greco-romana Josefo adapta sua linguagem dificultando nosso entendimento na exata crença dos saduceus.

Não se tem certeza se os saduceus realmente não acreditavam nessas coisas ou se simplesmente não aceitavam as interpretações apocalípticas que estavam já presentes na época através da literatura apócrifa, bem como de tradições não bíblicas, já que sabemos que os saduceus aceitavam somente a lei de Moisés, o Pentateuco e negavam quaisquer outras tradições ou escritos e por isso o debate entre eles e Jesus a respeito da ressurreição (Lc 20.27), na contra argumentação de Jesus ele cita Abraão, Isaque e Jacó história que está no Pentateuco para rebater o grupo saduceu.[29]

O debate sobre a visão dos saduceus ainda está em aberto, por causa da maior quantidade de material e de influência farisaica e o desaparecimento do grupo depois de 70 d.C. os saduceus ficaram obscurecidos sem perpetuados somente em uma visão parecida de um grupo judaico moderno chamado caraíta, que se dizem herdeiros dos saduceus.

 

5.3 Quarta Filosofia, Zelotes, Sicários[30]

 

De acordo com Horsley e Hanson (2007, p. 166):

Como o conceito sintético de “zelotas” gerou tanta confusão no estudo da sociedade judaica do século I d.C. (ver Introdução), será útil esclarecer os dois “zelosos” grupos anti-romanos e anti-“esablishment” que não eram movimentos camponeses, isto é, a Quarta Filosofia e os sicários. Para uma abordagem destes grupos é conveniente evitar muitas idéias componentes que foram sintetizadas no conceito de zelotas. Por exemplo, o “zelo” por Deus e pela lei não caracterizava nenhum grupo mais que o outro. Não há evidência de profetas ou de atividade profética, nem de adeptos da Quarta Filosofia, nem entre os sicários. Tampouco há evidência de uma postura real ou messiânica entre nenhum dos dois grupos até o breve episódio de 66, que envolveu Manaém. O ponto de partida óbvio é um exame dos relatos de Josefo sobre a Quarta Filosofia.

  A discussão dos autores é de que o termo “zelote” foi utilizado indiscriminadamente para se referir a qualquer grupo revolucionário do período neotestamentário e que é preciso separar essas ideias numa análise mais apurada dos termos. Infelizmente a base de análise do autor é somente Josefo, que comete equívocos na análise dos grupos de sua época, equívocos esses demonstrado pelos próprios autores (Horsley e Hanson, 2007, p. 166-167). Eles dividem os grupos da seguinte forma:

Quarta Filosofia, liderada por Judas e Sadoc (o fariseu) segundo Josefo …Judas e Sadoc uma quarta filosofia estranha entre nós (Ἰούδας καὶ

Σάδδωκος τετάρτην φιλοσοφίαν ἐπείσακτον ἡµῖν  (Antiguidades 18.9). Rejeitam a forte tributação romana sobre o povo de Israel mas não utilizam-se da força, simplesmente protestam contra tais tributações. Aqui, esta quarta filosofia está unida com um fariseu chamado Sadoc. Horsley e Hanson (2007, p. 170) afirmam que esse grupo foi entendido como sendo um grupo chamado “zelotas”.

Realmente, Josefo não parece usar o termo (zēlōts) como se referindo a um grupo, mas simplesmente como um substantivo relacionado à pessoas zelosas. No NT a palavra o( ζηλωτhj/ (zēlōts) aparece somente nos seguintes textos: Lc 6.15; At 1.13; At 21.20; At

22.3; 1 Co 14.12; Gl 1.14; Tt 2.14; 1 Pe 3.13 e somente em Lc 6.15 e At 1.13 é que o termo é interpretado como zelote como um aposto qualificativo de Simão e ai interpretado como se ele fizesse parte de alguma organização revolucionária, mas pode ter havido uma interpretação precipitada do termo.

Em outros dois textos paralelos Simão tem um outro atributivo:

Σίμων ὁ Κανανίτης  (Mt 10.4)

Simão, o Kananíta

 

Σίμωνα τὸν Κανανίτην (Mc 3.18)

Simão, o Kananíta

A   Versão   Siríaca   traz   tanto   em   Mateus   10.4   quanto  em  Marcos 3.18:  aynnq !w[mv ( שֵׁמֻעֻון קננָיָָאָ֖) shēmeun qenānāyā .

Nos textos de Lc 6.15 e At 1.13 temos:        annj arqtmd

!w[mvw    ו֣שֵׁמֻעֻון דֵּמֵת̅קֵרֵא טַננָָאָ֖(WeShēme‘un Demēteqerē’ tanānā) E Simão chamado o zeloso (annj  tanānā’), nota-se  aqui  que  a  Peshita  traduziu  a  expressão o( ζηλωτhj/ (hó zēlōts) por (annj  tanānā’), expressão  aramaica que significa o zeloso.[31] Introduzir no NT o termo zelote como constituindo um grupo revoltoso judaico carece de maiores evidencias históricas, linguísticas e contextuais, embora seja esse o padrão de análise mesmo no meio acadêmico. Contudo, as pesquisas sobre o tema ainda estão em aberto e não podemos tirar conclusões precipitadas.

 Sicários, liderados por Manaém na eclosão da revolta “…e até Eleazar ben Jair, outro descendente de Judas, que se tornou comandante dos sicários restantes, que deixaram a revolta, refugiando-se no alto de Massada…” (Horsley e Hanson, 2007, p. 175). O nome sicário vem da arma que utilizavam, que Josefo descreve como punhais parecidos com as cimitarras persas e que eram chamadas de sicae pelos romanos (ibid., p. 173). Esse grupo começa a atuar somente na década de 50. Esse era um grupo distinto e que não deve ser confundido com o conceito estabelecido de ‘zelotes’, os sicários são um grupo de tipo distinto com estratégias mais violentas do que os chamados de Quarta Filosofia.

 

5.4 Herodianos

A família herodiana tinha aceitação distinta pela sociedade judaica do período neotestamentário. Alguns, principalmente da aristocracia reverenciavam a família herodiana e outros, principalmente os oprimidos, odiavam-nos. [32]

Recentes achados arqueológicos revelaram novas informações sobre a família herodiana:

 Erguido por Herodes[33], o palácio em três níveis desce pela encosta norte de Masada[34] – a realização de um soberano há muito vilipendiado, mas hoje reconhecido como um arquiteto magistral. Com técnicas de construção romanas, ele criou obras-primas de assombrosa beleza[35]

 O local exato do túmulo de Herodes permanecera um mistério durante quase dois milênios, até que, em abril de 2007, Netzer e seus colegas da Universidade Hebraica de Jerusalém o encontraram, na encosta superior do Herodium. Essa descoberta lança novas luzes sobre uma das personalidades mais intrigantes do mundo antigo, e revela indícios do ódio que Herodes despertava entre seus contemporâneos. Também provocou um incidente político: os palestinos argumentaram que os artefatos recuperados no sítio arqueológico lhes pertenciam por direito, enquanto os colonos judeus afirmaram que a presença do túmulo confirmava as reivindicações judaicas pelo território da Cisjordânia. Para Netzer, cujas escavações de vários sítios associados a Herodes já foram interrompidas por guerras, invasões e revoltas, a controvérsia não tem nada de novo. Na Terra Santa, a arqueologia é um tema tão político quanto a própria soberania. Disponível em:

<http://viajeaqui.abril.com.br/materias/o-vilao-da-biblia>

  O NT relata um interessante incidente entre um grupo herodiano e Jesus:

16 E enviaram-lhe os seus discípulos, com os herodianos, dizendo: Mestre, bem sabemos que és verdadeiro, e ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens. 17 Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não? 18 Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas? 19 Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro. 20 E ele diz-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição?  21 Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. 22 E eles, ouvindo isto, maravilharam-se, e, deixando-o, se retiraram. (Mt 22.16-22)

Pela narrativa entendemos que o debate da questão do tributo esta presente nas disputas entre o grupo que defendia os impostos (classe aristocrata de saduceus e herodianos) e os grupos que entendiam os impostos como um peso imposto por uma nação estrangeira e pagã à nação escolhida de Israel (fariseus, a quarta filosofia, camponeses, etc, e mais tarde os sicários).

 

5.5 Qumranitas (Essênios?)

Os achados dos manuscritos da Judeia em 1948, conhecidos como Manuscritos do Mar Morto geraram grande controvérsia acadêmica e revelações novas a respeito do ambiente sócio-cultural-religioso do período neotestamentário. Após mais de 60 anos da descoberta ainda paira no ar grandes questões a respeito da identidade do grupo, sua origem, sem fim, pensamento teológico, língua e tantos outros detalhes. Embora uma grande quantidade de textos e materiais arqueológicos tenham sido encontrados, muitas lacunas ainda estão presentes que nos impedem de ter uma visão fechada sobre os habitantes de Qumran.

O que se pode afirmar é que era um grupo opositor ao sistema sacerdotal, aos fariseus, aos romanos e a qualquer outro grupo que não fizesse parte de sua facção. Muitas tentativas se fizeram para relacionar o grupo com João, o batista, com Jesus, Paulo, etc, todas essas tentativas, contudo se mostraram inconclusivas pois os mesmos elementos convergentes entre a seita e o movimento cristão também podem ser encontrados em outros partidos políticos-religiosos do período.

As diferenças, contudo, entre esse grupo e os outros partidos são marcantes, tais como seu isolamento, seus métodos de interpretação, até então desconhecido, diferente do método cristão e farisaico rabínico.

Geralmente pensamos nos fariseus como um grupo radical do período neotestamentário, pois para os qumranitas eles são considerados ‘liberais demais’. O sistema de purificação e as regras da seita de Qumran eram muito mais exigentes e rígidas do que as dos fariseus e de qualquer outro grupo conhecido da época.

Para maiores detalhes sobre o grupo sugerimos as seguintes obras:

SHANKS, Hershel (org.). Para compreender os manuscritos do Mar Morto. Rio de Janeiro: Imago, 1993

SILVA, Clarisse Ferreira da. O Comentário (Pesher) de Habacuc: a comunidade de Qumran reinterpreta o passado. São Paulo: Humanitas, 2010

VERMES, Geza. Jesus e o mundo do judaísmo. Coleção Bíblica Loyola 17. São Paulo: Edições Loyola, 1996

ELIOR, Raquel. The Dead Sea Scrolls – Who Wrote them, When and Why? An English summary of my Hebrew book Memory and Oblivion:

The Mystery of ththe Dead Sea Scrolls, the Van Leer Jerusalem

Instituteand Hakibbutz Hameuchad Publishing House,  2009

 

5.6 Samaritanos[36]

  Sem dúvida é o grupo mais desprezado pela sociedade judaica neotestamentária, considerados não judeus, são evitados, menosprezados, excluídos e até mesmo o nome deles é evitado de ser pronunciado (Lc 10.37). O uso que Jesus faz dos samaritanos na parábola, conhecida como parábola do bom samaritano, é proposital. Jesus sabia do ódio dos fariseus e de outros grupos contra os samaritanos e querendo mostrar a importância do perdão e do amor ao próximo usou como herói da parábola.

O AT nos explica os aspectos políticos de organização que fizeram com que uma mistura de povos deu origem aos samaritanos:

I Re 17.24-29  

 24 E o rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de

Ava, de Hamate e Sefarvaim, e a fez habitar nas cidades de

Samaria, em lugar dos filhos de Israel; e eles tomaram a Samaria em herança, e habitaram nas suas cidades.  25 E sucedeu que, no princípio da sua habitação ali, não temeram ao SENHOR; e o SENHOR mandou entre eles, leões, que mataram a alguns deles.  26 Por isso falaram ao rei da Assíria, dizendo: A gente que transportaste e fizeste habitar nas cidades de Samaria, não sabe o costume do Deus da terra; assim mandou leões entre ela, e eis que a matam, porquanto não sabe o culto do Deus da terra.  27 Então o rei da Assíria mandou dizer: Levai ali um dos sacerdotes que transportastes de lá; e vá e habite lá, e ele lhes ensine o costume do Deus da terra.  28 Veio, pois, um dos sacerdotes que transportaram de Samaria, e habitou em Betel, e lhes ensinou como deviam temer ao SENHOR.  29 Porém cada nação fez os seus deuses, e os puseram nas casas dos altos que os samaritanos fizeram, cada nação nas cidades, em que habitava.

  O cisma se estendeu até os dias de Esdras-Neemias, também no período interbíblico. Quando abrimos as páginas do NT vemos que o cisma já havia se agravado em muito e os samaritanos eram vistos como não judeus e grandemente desprezados pelos fariseus e outros grupos da época.

 

6 As línguas do período neotestamentários e sua presença na literatura neotestamentária

 

6.1 Hebraico

Há evidências escriturísticas de que o hebraico nunca deixou de ser falado, em muitas épocas, principalmente após o cativeiro e na Idade Média era falado somente por uma elite intelectual, mas sua preservação, até o seu renascimento no século XIX com Eliezer ben  Yehuda pode ser traçada na história judaica sem maiores dificuldades.

Dentre os documentos encontrados em hebraico temos o hebraico bíblico que vai desde 1500 a.C. até 430 a.C.; textos apócrifos do AT, textos encontrados entre os Manuscritos do Mar Morto que vão desde o ano 250 a.C. até 68 d.C., textos do período da revolta judaica entre 66-70 d.C., textos e moedas  do período da segunda revolta judaica de 135 d.C, a Mishná que foi escrita por volta de 220 d.C., mas que envolve um Hebraico Mishnaico usado desde 400-300 a.C. até 400 d.C.[37], Hebraico Medieval usado na redação do Talmude Babilônico entre 500 d.C. a 1700 d.C.[38], Hebraico Moderno que vai desde o início do século XVIII até os nossos dias.

Dentre os períodos mais importantes do hebraico para o entendimento dos textos neotestamentários estão o Hebraico de Qumran eo Hebraico Mishnaico. Abaixo temos um exemplo do hebraico da Mishná que nos mostra a semelhança e as diferenças do hebraico bíblico:

רבי מאיר אומר: כל העוסף בתורה לשמה זוכה לדברים הרבה; ולא עוד, אלא שכל העולם כלו כדאי הוא לו; נקרא רע, אהוב אוהב את המקום, אוהב את הבריות, משמח את המקום, משמר את הבריות. ומלבשתו ענוה ויראה, ומכשרתו להיות צדיק, חסיד, ישר ונאמן; ומרחקתו מן החטא, ומקרבתו ליד זכות. ונהנין ממנו עצה ותושיה, אני בינה, לי גבורה. ונותנת לו מלכות וממשלה, וחקור דין. ומגלין לו רזי תורה, ונעשה כמעין המתגבר וכנהר שאינו פוסק. והוה צנוע וארך רוח, ומוחל על עלבונו. ומגדלתו ומרוממתו על כל

Rabi Meir diz: Todo o que se ocupa com a Torah pelo nome dela[40], é merecedor de grandes coisas; e não só isso, mas que todo o mundo tem uma dívida para com ele.[41] Ele é chamado amigo, amado, ama a Deus, ama as pessoas, se regozija em Deus, se regozija nas pessoas, e [o estudo] o veste de humildade e temor, o torna apto a ser justo, devoto, reto e fiel; afasta-o do pecado, e aproxima-o da pureza.[42]  As pessoas se beneficiam de seu conselho e sabedoria, entendimento e força, como diz: ‘Meu é o conselho e sabedoria, eu sou o entendimento, minha é a força[43], ela lhe dá  reino e domínio, exame e julgamento. Desvenda para ele os mistérios da Torah, e [ele] é feito como uma nascente que não seca e como um rio em que não cessa. É modesto e paciente, perdoa a despeito das ofensas que lhe são feitas; [a Torah] o engrandece e o exalta sobre todas as obras.

Embora o Hebraico Mishnaico tenha fortes semelhanças com o Hebraico Bíblico, também tem algumas diferenças de vocabulário.

Algumas palavras presentes no Hebraico Bíblico estão ausentes no Hebraico Mishnaico e vice-versa, algumas palavras no Hebraico Bíblico passaram a ter outro sentido no Hebraico Mishnaico. Empréstimos de palavras do latim, grego e aramaico são presentes no Hebraico Mishnaico e são escritas com caracteres hebraicos. Também a sintaxe e o estilo do Hebraico Mishnaico é por vezes diferente do Hebraico Bíblico (cf. Segal, 2001, p. 5).

 

6.2 Aramaico

Os trechos aramaicos da Bíblia são: Dn 2.4b-7.28; Ed 4.8-6.18;

7.12-26; Jr 10.11 e Gn 31.47b (duas palavras). Foram encontrados em Qumran diversos targumim[44], 11QtgJó, datado do século II a.C. e considerado o mais antigo targum conhecido, 4QtgLv e o 4QtgJó.

O estudo do aramaico é importante por vários motivos: 1. Textos escatológicos chaves do AT; 2. Fraseologia e terminologia do NT, principalmente questões escatológicas; 3. Entendimento do grego do NT; 4. Notas massoréticas nos manuscritos medievais que ajudam a entender a transmissão e a preservação do texto do AT; 5. Textos aramaico do AT e NT que ajudam na explicação de palavras rara do AT e NT.

 

6.3 Grego

Colvin, 2007, p. 67-68 nos dá Algumas características do grego no período Helenístico:

  1. Verbos anômalos tal como oid= a são regularizados (3 plur. oid; asi): (…) gradual eliminação de verbos atemáticos continua; eimv i, (sum) é transferido para o médio: eim= ai (pas. hm; hn, ht= o).
  2. O médio começa a desaparecer como uma categoria separada; assim também o optativo.
  3. No aor., terminações temáticas são substituídas por atemáticas: * eip= on → eip= a. A característica -sa- marca do aor. se espalha; no 3 plur. uma mistura de formas competem –on e –san produzindo -osan.
  4. A terminação -san da 3 plur. espalha-se para a 3 plur. imper.: -es; twsan.
  5. A distinção entre aor. E perf. começa a cair.
  6. Substantivos com uma morfologia estranha são substituídos: e.g. u-j, (…) nauj/ (ploio/ n). Em alguns casos uma forma simplificada era preferida: lewj, → laoj,[45]

 

Características do koiné do NT

Sobre as características do NT nos diz Horrocks (2010, p. 147):

A título de ilustração, nós podemos listar o seguinte fenômeno do evangelho de acordo com São Marcos (cf. Maloney (1981), Blass et  AL. (1984: 273 ss), Bubeník (1989: 65-7) para uma discussão detalhada:

  • kai, [ke] ‘e’, iniciando um novo parágrafo.
  • kai, [ke] ‘e’, introduzindo a apódose[46] de cláusulas condicionais.
  • Substantivo-genitivo-adjetivo ordem, ao invés da usual posição incial anterior ao adjetivo.
  • Uso modificado do genitivo NPs onde frequentemente o Grego usaria um adjetivo.
  • Uso de adjetivos positivos com o valor de comparativos.
  • ei-j [is] ‘um’ (masculino), ou an; qrwpoj

[‘anthropos] ‘homem’, usado como pronome indefinido (ao invés de tij [tis] ‘alguém’).

  • Uso redundante de pronomes resumptivo[47] em cláusulas relativas introduzidas por um pronome relativo adequadamente flexionado.
  • Nominativo em expressões de duração temporal em lugar do acusativo.
  • Nominativo NPs com artigo definido preposto usado ao invés do simples vocativo.
  • Nominativo tópico, com pronome resumptivo

‘fraco’.

No quadro ao lado, Wallace (1996), após discussão sobre os debates do tipo de grego presente no Novo Testamento, indica os espectros das influências, ou seja, o NT empresta das línguas semitas (aramaico e hebraico) parte do estilo e fraseologia, de uma koiné vernácula empresta parte do

estoque léxico, enquanto que da koiné literária absorve parte da sintaxe. Entretanto, todos esses elementos não

dogmáticos quanto a abordagem de todo o NT, visto que autores diferentes absorvem em menor ou maior grau cada um desses elementos. Dentre as características do tipo de koiné utilizada por cada autor.

               Luz (1991, p. 2110) nos dá o seguinte exemplo:

Esta fraseologia hebraica se reflete, de modo acentuado, na estilística do Novo Testamento, usada a conjunção kai/, em exata correspondência ao      ו hebraico, não apenas em função aditiva ou copulativa, mas até mesmo em outras conotações, mormente em cunho temporal ou consecutivo; Noção desta fraseologia, tão à maneira hebraica, é de ver-se, por exemplo, em Mc 6.1: kai . evxhl/ qen ekv eiq/ en kai . er; cetai eijv thn. patrid,a autv ou / kai . akv olouqous/ in autv w /| oi ` maqhtai . autv ou/ – E retirou-se dali, e vem para sua região, e o seguem os discípulos. Três são os verbos finitos,  evxhl/ qen, er; cetai e  akv olouqous/ in, em coordenação mercê da conjunção kai,, exatamente como seria a sequência hebraica. Estilo menos semitizado, tomaria er; cetai como principal e converteria os dois outros em particípios adverbalizados ou cláusulas subordinadas.

 

Considerações Finais

  Muita pesquisa ainda está em aberto nos estudos do NT, o ambiente complexo da diversidade de partidos políticos-religiosos e ambiente sócio-cultural exige pesquisa acadêmica de alto nível, criteriosa e crítica, para se tentar reconstruir esse ambiente e ajudar-nos na exegese do AT e NT.

A grande dificuldade nos estudos desse ambiente está na limitação dos dados históricos e arqueológicos do período, sendo assim, a releitura dos textos e dos achados, principalmente dos textos originais que se referem ao período, são um elemento chave para esclarecer informações que passaram despercebidas por estudiosos antigos e que muitas vezes acabaram por gerar visões distorcidas ou imprecisas desse ambiente tão rico e tão plural que é o ambiente do período intertestamentário, neotestamentário e dos primeiros séculos da história judaica cristã. Cabe à nossa geração e às posteriores essa tarefa tão árdua.

  

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[1] Ver discussão em JEREMIAS, Joachim. Palavras desconocidas de Jesus. 4. ed. Salamanca:

Ediciones Sígueme, 1990, p. 20-26; 56-71

[2] São chamados Pais Apostólicos aqueles primeiros escritores que forma discípulos dos apóstolos ou tiveram algum contato com eles, principalmente: Clemente de Roma,

Inácio           e           Policarpo,           ver            um          breve           comentário           em:

<http://www.icp.com.br/51materia2.asp> acesso em: 28.06.12

[3] Coleção de Leis Orais compiladas por Rabi Judá Há-Nassi [200 d.C.], que forma a base do Talmude” BEREZIN, 1995,  verbete   משנה

[4] Significa aprender

[5] Mais tarde foram acrescentados outros comentários divergentes chamados de

Tossefta’  (וֹבֿסֵפְָתָא)

[6] A maioria das obras desses estudiosos está disponível em português conforme pode ser verificado na bibliografia final

[7] Não confundir com Harold K. Moulton escritor do Léxico Grego Analítico da Cultura

Cristã que também é um estudioso do grego do NT

[8] As datas dizem respeito às obras citadas na bibliografia

[9] Tabela extraída de Santa Biblia, Reina Valera 95, Edición de Estudio. s/l: Sociedades Biblicas Unidas, 2008,  p. 1216

[10] A terminologia e a lista é extraída de Horsley e Hanson (2007, p. 222-223), com ligeiras adaptações

[11] Para uma pesquisa sobre o tema ver: WILSON, Robert R. Profecia e sociedade na pesquisa do Antigo Testamento. In: Profecia e Sociedade no Antigo Israel. 2.a ed. Tradução João Rezende Costa. São Paulo: Targumim, 2006, p. 17-37; EICHRODT, Walter. A Profecia Clássica. In: Teologia do Antigo Testamento. Tradução Cláudio J. A. Rodrigues. São Paulo: Hagnos, 2004, p. 301-348; KAUFMANN, Yehezkel. Parte III: A Profecia Clássica: Capítulo 10. A Literatura da época; Capítulo 11. Amós e Oséias; Capítulo 12. Isaías, Miquéias, Habacuc; Capítulo 13. A Profecia da Queda: Jeremias e Ezequiel. In: A

Religião de Israel. Tradução Attílio Cancian. São Paulo: Perspectiva, 2005, p. 345-456

[12] Daniel está em uma outra seção do Tanach, chamada de   כְּתוִּבִים(ketuvyim = escritos)

[13] Todos os negritos são nossos

[14] A expressão grega é μέχρι τοῦ παραγενηθῆναι προφήτην τοῦ ἀποκριθῆναι περὶ αὐτῶν até aparecer um profeta para responder a respeito delas

[15] A expressão grega é ἀφ᾽ ἧς ἡμέρας οὐκ ὤφθη προφήτης αὐτοῖς desde o dia em que não foram vistos os profetas

[16] A expressão grega é ἕως τοῦ ἀναστῆναι προφήτην πιστὸν até que se levante um profeta fiel

[17] Ver Guerras Judaicas 2.259 e Antiguidades Judaicas 20, 168, onde Josefo caracteriza os profetas como “impostores e demagogos.”

[18] Entre os grupos mais letrados como fariseus e saduceus os profetas são ausentes

[19] Josefo também relata sobre João, o Batista em Antiguidades Judaicas 18.116-119

[20] Citação de Horsley e Hanson (2007, p. 147)

[21] Que haviam movimentos proféticos e mágicos em Samaria nos é evidenciado também pelo relato de Atos 8.9-10: 9 E estava ali um certo homem, chamado Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica, e tinha iludido o povo de Samaria, dizendo que era uma grande personagem; 10 Ao qual todos atendiam, desde o menor até ao maior, dizendo: Este é a grande virtude de Deus (Οὗτός ἐστιν ἡ δύναμις τοῦ θεοῦ ἡ μεγάλη).

[22] Para maiores detalhes dessa curiosa personagem ver Scardelai (1998, p. 192-193) e também Horsley e Hanson (2007, p. 147-149)

[23] Para a análise o relato todo e a análise, ver Horsley e Hanson (2007, p. 154-155)

[24] O próprio Jesus questionou os discípulos sobre a visão que tinham dele na conhecida passagem: 13 E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? 14 E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. 15 Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? 16 E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. 17 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. (Mat 16.13-17)

[25] Para uma pesquisa abrangente sobre O Messias, ver Fabry e Scholtissek (2008). O Messias ; Scardelai (1998). Movimentos Messiânicos no Tempo de Jesus: Jesus e outros messias.

[26] do verbo פרש   separar, fazer distinção

[27] Traduzido a partir do Inglês, disponível em: < http://www.come-andhear.com/sotah/sotah_22.html> acesso em: 01.07.12

[28] Citação de Skarsaune (2004, p. 106)

[29] Enquanto Schiffman defende que a comunidade dos manuscritos do mar morto era saduceia, Vanderkan discorda profundamente afirmando serem essênios, ver debate em Shanks (1993, p. 37-79)

[30] Terminologia utilizada por Horsley e Hanson (2007, p. 166)

[31] A Vulgata utiliza a expressão Zelote que significa zeloso, a mesma expressão latina é usada em Êx 34.14 Dominus Zelotes = O Senhor é Zeloso

[32] Para informações mais detalhadas sobre a família herodiana, ver Tognini (1987, p. 109-127)

[33] Este é Herodes, Magno (o Grande – 37-4 a.C. – Mt 2.3)

[34] O palácio é citado por Josefo em Antiguidades Judaicas 14.360 que o chama de

Ἡρωδίαν (hērōdían)

[35] Imagem extraída de: <http://viajeaqui.abril.com.br/materias/o-vilao-da-biblia> acesso em: 01.07.12

[36] Os samaritanos têm um texto do pentateuco particular em sua língua, semelhante ao hebraico mais com caracteres particulares, ver alfabeto em:

<http://bibliahebraica.com.br/wpcontent/uploads/2010/09/Alfabeto_Hebraico_Samaritano.pdf>

[37] Cf. Segal (2001, p. 1)

[38] Ibid, p. 1

[39]  Pirqey Avot 6.1

[40]  para honra dela, ou por amor a ela

[41]  a frase  אלא שכל העולם כלו כדאי הוא לו’ela’ shekol ha”olam kulo kd’ay hu’ lo” pode ser traduzida por:  “mas que todo o mundo, inteiramente, vale a pena por causa dele”.

[42] liydey zkhuth – literalmente “para mãos puras”

[43]  Pv 8.14

[44] É o plural da palavra targum (ָוָֹ ְרְגוּם), que significa tradução, e diz respeito a textos bíblicos em aramaicos que são traduções de textos da Bíblia Hebraica, geralmente com forte carga interpretativa. São importantes para a crítica textual e para conhecimento do vocabulário e fraseologia do NT.

[45] Embora essa forma não seja uma característica somente do ático

[46] s.f. Retórica. Numa estrutura sintática de dois membros correlacionados, aquele que, subordinante ou condicionante, encerra o enunciado que satisfaz a expectativa criada pelo primeiro, chamado prótase. Ex.: Se queres a paz (prótase), prepara a guerra (apódose). Fonética. Parte melódica descendente de um enunciado.

[47]  Um pronome em uma cláusula relativa que se refere ao antecedente de uma cláusula relativa, ou seja, um pronome anafórico.

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