Breve Histórico da Tradução da Bíblia

Breve Histórico da Tradução da Bíblia

  

 por

José Ribeiro Neto

Pastor da Igreja Batista do Vale, Vale das Virtudes, SP. Diretor Pedagógico do Seminário Teológico Batista Nacional Enéas Tognini. Doutorando e Mestre em Estudos Judaicos pela Universidade de São Paulo, Mestre em Teologia Bíblica do Antigo Testamento pelo Seminário Teológico Batista Nacional Enéas Tognini.

1. Traduções Antigas Famosas219

 

Na atual situação de multiplicação de traduções e Bíblias de estudo, é importante entendermos o histórico das grandes traduções da antiguidade, quando a Bíblia começou a ser traduzida para a língua do povo e passou a fazer parte do ambiente cultural dos povos e não mais propriedade exclusiva dos clérigos e eruditos. Essa história é cheia de perseguição e dificuldades, mas rica em testemunhos de homens fieis, que dedicaram suas vidas e seu conhecimento para poder fazer com que a Bíblia chegasse nas mão de todos os povos, de todas as línguas, tribos e nações.

Não nos deteremos a detalhes da história de cada uma dessas importantes traduções, mas daremos um vislumbre das que consideramos de grande valor para o estudo das traduções.

 

1.1 Bíblia de Wycliffe de  1395

 

 John Wycliffe (cerca de 1330-1384), foi um grande professor de filosofia na Universidade de Oxford, Inglaterra, nasceu em uma cidade do interior a 125 quilômetros ao Norte de Londres (MILLER, 2006, p. 154a). Odiado pela igreja romana desde cedo por causa de suas ideias e de sua percepção do afastamento dos líderes, que não praticavam os ensinos das Escrituras. Wycliffe criticou também a extrema riqueza da igreja e disse que “Cristo chamou os seus discípulos à pobreza, não à riqueza” (op. cit. MILLER, p. 154b).

                                               

219 As traduções mais antigas tais como a chamada LXX, Vulgata, Peshita, etc, serão comentadas em capítulos a parte devido sua importância para a crítica textual do AT

 

Wycliffe queria que o povo tivesse acesso à Escrituras em sua própria língua e lutou para que a Igreja levasse avante a idéia de uma tradução para a língua das pessoas comuns, conforme nos diz MILLER

(op. cit., p. 154b):

 

Por causa da sua falta de confiança na autoridade da Igreja, bem como seu respeito pelas Escrituras, Wycliffe começou a pressionar para que houvesse uma tradução inglesa da Bíblia. Essa deveria substituir a versão latina, que somente o clero bem-educado conseguia ler. ‘O laicato precisa compreender a fé’, disse Wycliffe, ‘e, como as doutrinas da nossa fé estão nas Escrituras, os cristãos deveriam ter as Escrituras em uma língua que pudessem compreender completamente’.

A vida de Wycliffe serviu de exemplo e motivação para vários outros grandes homens de Deus, tanto pré-reformadores (como John Hus) e reformadores como Lutero.

As doutrinas de Wycliffe foram condenadas pela igreja católica romana no concílio de Constança (1415), no mesmo concílio considerado como herege. A ira da igreja romana contra ele foi tão forte que ordenou queimarem seus ossos e lançar as suas cinzas no rio 43 anos após a sua morte.

Abaixo vemos um exemplo da versão de Wycliffe:

Gênesis 1.1 In the bigynnyng God made of nouyt heuene and erthe.  2 Forsothe the erthe was idel and voide, and derknessis weren on the face of depthe; and the Spiryt of the Lord was borun on the watris.  3 And God seide, Liyt be maad, and liyt was maad.  4 And God seiy the liyt, that it was good, and he departide the liyt fro derknessis; and he clepide the liyt,  5 dai, and the derknessis, nyyt. And the euentid and morwetid was maad, o daie.  6 And God seide, The firmament be maad in the myddis of watris, and departe watris fro watris.

 

 1.2 Tyndale Bible 1526-1534

             Willian Tyndale nasceu no país de Gales aproximadamente em 1494 e morreu em Vilvorde em 1536. Como Wycliffe, Tyndale contribuiu para que a reforma invadisse também a Inglaterra. Tyndale contrabandeava a sua versão para a Inglaterra e em 06/10/1536 foi enforcado e queimado. Abaixo segue exemplos de sua versão:220

 Novo Testamento – 1526

 Jo 1.1 In the beginning was that word, and that word was with god: and god was that word.  2 The same was in the beginning with god.  3 All things were made by it, and without it, was made no thing, that made was.  4 In it was life, And life was the light of men,  5 And the light shineth in the darkness, and darkness comprehended it not.  6 There was a man sent from god, whose name was Ihon.

Bíblia Completa – 1534 

Genesis 1.1-6  1 In the begynnynge God created heaven and erth.  2 The erth was voyde and emptie ad darcknesse was vpon the depe and the spirite of god moved vpon the water  3 Than God sayd: let there be lyghte and there was lyghte.  4 And God sawe the lyghte that it was good: and devyded the lyghte from the darcknesse  5 and called the lyghte daye and the darcknesse nyghte: and so of the evenynge and mornynge was made the fyrst daye  6 And God sayd: let there be a fyrmament betwene the waters ad let it devyde the waters a sonder.

 

1.3 Lutero (1522 NT e 1534 Bíblia Inteira)

 Segundo nos conta MILLER et. alli (op. cit., p. 166):

Durante os 10 meses que Lutero permaneceu no castelo, ele tratou de escrever. E das obras que escreveu, uma viria a fazer com que os seus ensinamentos se transformassem em um movimento. Partindo da edição grega do Novo Testamento que o estudioso holandês Erasmo havia feito cerca de cinco anos antes, Lutero traduziu o Novo

Testamento para o alemão, completando o primeiro rascunho em apenas 11 semanas.

                                               

220 Para maiores detalhes sobre a vida e tradução de Tyndale ver MILLER et. alli,op.

cit., p. 170-171

 

Talvez um dos motivos que acelerou o processo de tradução tenha sido o fato de Lutero se recusar a fazer uma tradução literal que seguisse rigidamente o padrão ou a forma do texto grego. Em vez disso, ele queria que as Escrituras soassem do jeito que os alemães falavam. Mais tarde, enquanto trabalhava na tradução do Antigo Testamento, Lutero explicou que ‘traduzir adequadamente é exprimir o sentido de uma língua estrangeira em seu próprio idioma. Eu procuro traduzir como as pessoas falam no mercado. Ao traduzir Moisés, eu o torno tão alemão, que ninguém suspeitaria que ele era um judeu’.

A mesma visão de Wycliffe e Tyndale tinha também Lutero, a Bíblia na língua do povo para que todos tivessem acesso às Escrituras. A versão de Lutero acabou por unificar até mesmo a língua alemã de sua época. Nas palavras BERKHOF (2008, p. 25): “prestou à nação alemã um grande serviço ao traduzir a Bíblia para o vernáculo alemão”.

Abaixo temos um exemplo da versão de Lutero:

 Gênesis 1.1 Am Anfang schuf GOtt Himmel und Erde.  2 Und die Erde war wüst und leer, und es war finster auf der Tiefe; und der Geist GOttes schwebete auf dem Wasser.  3 Und GOtt sprach: Es werde Licht! Und es ward Licht.  4 Und GOtt sah, daß das Licht gut war. Da schied GOtt das Licht von der Finsternis  5 und nannte das Licht Tag und die Finsternis Nacht. Da ward aus Abend und Morgen der erste Tag.  6 Und GOtt sprach: Es werde eine Feste zwischen den Wassern, und die sei ein Unterschied zwischen den Wassern.

 1.4 King James ou versão do Rei Tiago 1611

 A Versão do Rei Tiago ou mais conhecida como King James221 é a versão mais conhecida e mais popularizada da Bíblia nessa língua, foi feita a pedido do Rei James IV da Escócia que se tornou o Rei James I da Inglaterra em 1603. Por solicitação dos puritanos o Rei James encomendou uma nova tradução da Bíblia para a Inglaterra, separou 54 eruditos para trabalharem em uma nova versão, mas desses 54 somente 47 fizeram parte desse trabalho. A obra só foi terminada em 1611. No início os prórpios puritanos repudiaram a versão preferindo a Bíblia de

                                                

221 O nome Tiago em inglês é James

Genebra que trouxeram para a América do Norte.

 

Com o tempo a King James foi assumindo seu papel de versão oficial e até hoje é a preferida dos leitores de fala inglesa; influenciou e ainda influencia a cultura e a teologia norte-americana.222 Abaixo temos um exemplo da tradução da King James:

 Genesis 1.2-6  2 And the earth was without form, and void; and darkness was upon the face of the deep. And the Spirit of God moved upon the face of the waters.  3 And God said, Let there be light: and there was light.  4 And God saw the light, that it was good: and God divided the light from the darkness.  5 And God called the light Day, and the darkness he called Night. And the evening and the morning were the first day.  6 And God said, Let there be a firmament in the midst of the waters, and let it divide the waters from the waters.

 2. Traduções em Português

 É bom lembrar que muitas pequenas porções das Escrituras foram traduzidas para o português desde o século XIII, conforme nos conta HENDRICKSON (2006, p. 308):

A história registra que o primeiro texto em português das Escrituras foi produzido por D. Diniz (12791325), rei de Portugal. Profundo conhecedor do latim e estudioso da Vulgata, D. Diniz decidiu enriquecer sua pátria vertendo a Vulgata Latina para o português. Embora fosse carente de compromisso com o Cristianismo e só lhe fosse possível traduzir os primeiros vinte capítulos do livro de Gênesis, seu esforço colocou-o em uma posição historicamente pioneira, anterior a alguns dos primeiros tradutores da Bíblia para outros idiomas, como John Wycliff, por exemplo, que só em 1380 logrou a tradução das

Escrituras para a língua inglesa.

O cronista Fernão Lopes, do século XV, afirmou que também D. João I (1385-1433) – um dos sucessores de D. Diniz no trono português – ‘fez grandes letrados tirar em linguagem os evangelhos, Atos dos Apóstolos e as epístolas de São Paulo, para que aqueles que ouvissem fossem mais devotos acerca da lei de Deus’ (Crônica de D. João I, 2.ª Parte). Esses ‘grandes letrados’ eram vários padres que também utilizaram a Vulgata Latina no ofício da tradução.

                                               

222 Há defensores ferrenhos da King James de 1611, um desses chega a dizer que é essa a última versão que Deus está utilizando na história humana para revelar a sua Palavra. Típico da pretensão americana imperialista influenciando a teologia

É claro que a igreja romana não deu qualquer aval a essas versões e fez de tudo para eliminar os exemplares dessas versões inclusive dando seu anátema, dessa forma, poucas cópias nos restaram dessas versões e de outras tantas versões portuguesas que surgiram desde o século XIII até o século XIX.

Cronologicamente temos as seguintes principais traduções em português:

1753 – João Ferreira de Almeida – Protestante

1790 – Versão de Figueiredo – Católica

1898 – Revista e Corrigida de Almeida (RC) – Protestante

1917 – Tradução Brasileira – Católica

1932 – Versão de Matos Soares – Católica

1959 – Almeida Revista e Atualizada (ARA) – Protestante

1959 – Versão dos Monges Beneditinos – Católica

1968 – Versão dos Padres Capuchinchos – Católica

1981 – Bíblia de Jerusalém – Católica

1981 – Bíblia Viva – Protestante

1988 – Bíblia na Linguagem de Hoje – Protestante

1993 – Tradução em português corrente – Protestante

  • – Almeida Revista e Atualizada 2.ª Edição – Protestante
  • – Tradução Ecumênica da Bíblia – Católica
  • – Almeida Corrigida Fiel (ACF) – Protestante
  • – Revista e Corrigida 2.ª Edição – Protestante
  • – Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH) – Protestante
  • – Nova Versão Internacional (NVI) – Protestante
  • – Tradução da CNBB – Católica

 

 Comentaremos abaixo algumas versões de importantes no português:

 

2.1 Bíblia Medieval Portuguesa – Pentateuco, por volta do séc. XIII d.C.

                                   Esta versão não pode ser considerada uma tradução, mas um comentário parafraseado das Escrituras, contudo, é importante por ser uma das primeiras referências à Bíblia em língua portuguesa que temos conhecimento. Esse era o códice 349 da Biblioteca do mosteiro de Alcobaça. Hoje esse códice não está mais disponível, mas é citado por um índice da biblioteca Alcobaça de 1775, segundo os organizadores e referências em antigos escritores, consegue-se chegar à data do séc. XIII d.C. Abaixo temos um exemplo desse texto:

 

CAPÍTULO I COMO DEUS CREOU O CEEO E A TERRA.

E no começo criou Deus o ceeo, e a terra, convem a saber, o ceeo empireo, e os angos, e a materia de todolos corpos, e os quatro elementos, convem a saber, o fogo, e o aar, e a augua, e a terra, e este mundo, que parece, que he feito deles.

Mas a terra era vãa e vazia, quer dezer, que a feitura do mundo era sem proveito, e se, fruito, e desapostada.

E as treevas eram sobre a face do avisso, que hé a terra, e a feitura do mundo, que era profunda, e escura, e confunduda.

E o Spirito do Senhor andava sobre as auguas, quer dezer, que a vontade de Deus andava sobela materia do mundo, assi como a vontade do meestre, que tem ante si a materia, de que quer fazer a casa.

E disse Deus, seja feita a luz, e logo foi feita a luz, e vio Deus a luz que era boa, e departiu a luz, e as treevas, e pos nome aa luz dia, e aas trevas noite, e foi feito vespera e manhãa hũu dia.223

 

2.2 Versões Protestantes

 

As primeiras versões da Bíblia em terras tupiniquins são de origem protestante, a igreja romana, como sempre, fez de tudo para que a Bíblia não chegasse ao povo e só cedeu depois de muito tempo, justamente por causa da versão de Almeida que já estava disponível alguns anos antes da primeira versão católica romana de Figueiredo.

 

2.2.1 Versões de João Ferreira de Almeida

                                               

223 Texto publicado por Imago/EDUC. O Pentateuco da Bíblia Medieval Portuguesa; introdução e glossário Heitor Megale. p. 29

 A primeira impressão da versão de Almeida do NT saiu em 1681 na Holanda, após amplas revisões e disputas na Batávia, lemos em SWELLENGREBEL (1984, p. 15):

Em março de 1683 Almeida deu, ao Presbitério em Batávia, a notícia de que completara o Pentateuco e que este fora revisado por Thorton, Clavius e de Vooght. Esta revisão, sendo considerada apenas um empreendimento mais ou menos particular, as três pessoas mencionadas foram declaradas pelo Presbitério revisores oficiais, que teriam de examinar novamente a tradução do Pentateuco e o restante do Velho Testamento quando fosse terminado.

Em maio de 1683 os revisores ordenaram e o Presbitério decidiu que umas dezenas de folhas do manuscrito, assinadas por d’Almeida e os revisores, fossem arquivadas. D’Almeida se opôs; o Presbitério, já desconfiado por causa de sua atitude quanto ao Novo Testamento, considerou que esta oposição significava que ele estava planejando agir de modo semelhante com o Velho Testamento. Em dezembro d’Almeida pediu que fosse ‘liberado de revisão e revisores’. Este pedido não foi aceito pelo Presbitério. As discussões duraram meses, eventualmente levando o Presbitério a pedir ao governo para sustentar a decisão de maio de 1683.

Se Almeida finalmente concordou em entregar o manuscrito não está claro. Provavelmente, ele aquiesceu neste ponto, assim aceitando a revisão em princípio. Mais do que em princípio, no entanto, o Presbitério parece não ter conseguido. Na prática Almeida prosseguiu com a sua obra sem parar. Impliciamente, o Presbitério admitiu tudo isto, em sua carta dirigida à Holanda, informando sobre a revisão oficial do Novo Testamento, porém não sobre a tradução do Velho Testamento de Almeida.

Conforme acima referido, Almeida não pôde completar a sua obra do Velho Testamento. A última parte do mesmo foi completada por Jacobus op den Akker em 1694. Depois de muitos problemas foi impresso em Batávia (em dois volumes, 1748 e 1753).

Almeida traduziu toda a Bíblia até Ez 48.21, claro que já tinha feito a tradução do NT primeiro, e conforme lemos acima, a continuação da tarefa, ou seja, os livros do profeta Daniel e dos 12 profetas menores foram traduzidos por Jacobus op den Akker. A linguagem é muito arcaica, refletindo o português lusitano do século XVII, por isso, a obra de Almeida precisou ser Revista e Corrigida (ARC), o que se deu em 1898. É evidente que a obra original de Almeida teria que sofrer alterações de grafia, vocabulário e a eliminação de lusitanismos para que o povo brasileiro pudesse entender essa versão.

A Bíblia de Almeida se tornou popular entre o povo brasileiro e as sociedades bíblicas começaram a imprimi-la em grande escala. À medida que o povo brasileiro ia se convertendo ao protestantismo mais e mais Bíblias teriam que ser impressas, assim, a versão Revista e Corrigida se tornou a versão padrão dos crentes brasileiros até o ano de

1959, quando a Sociedade Bíblica do Brasil publicou a Almeida Revista

___________________

 

e Atualizada (ARA).

A ARA só tem o nome de Almeida, mas é uma nova versão, pois a base e textual do NT é baseada no TC (Texto Crítico da UBS), diferente da base textual utilizada por Almeida, que foi o TR (Textus Receptus de Erasmo de Roterdam)224. Como o nome Almeida era conhecido no meio protestante brasileiro foi utilizado como um veículo de marketing para essa nova versão. Desse momento em diante foram feitas diversas alterações na Almeida Revista e Corrigida pela SBB, descaracterizando-a completamente.

A SBB já tentou tirar do mercado a ARC e até a ARA, mas devido ao seu grande uso e preferência do povo evangélico brasileiro pela ARC desistiram da idéia e continuam publicando a versão.225

Só duas versões podem ser consideradas autênticas Almeidas, a ARC, publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil, e a Almeida Corrigida Fiel (ACF), publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana.

A Sociedade Bíblica Trinitariana, por meio da ACF, tem preservado a verdadeira versão de Almeida de acordo com os princípios de crítica textual que o próprio Almeida se utilizou, hoje (2009), é denominada Edição Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original.

Segundo nos conta o próprio prefácio dessa versão (ACF: 2007, i):

A primeira revisão da Bíblia em português, feita pela Trinitarian Bible Society (TBS – Sociedade Bíblica Trinitariana), foi iniciada no dia 16 de maio de 1837. O Ver. Thomas Boys, do Trinity College, Cambridge, foi encarregado de liderar o projeto. A revisão do Novo Testamento foi completada em 1839. A revisão completa do Velho Testamento só terminou em 1844. O último volume foi impresso em Londres, no ano de 1847. Aquela primeira edição, chamada Revista e Reformada, sofreu revisões ortográficas posteriores, feitas tanto pelo Ver. Boys como

                                               

  • Sobre as diferenças entre essas duas bases textuais do grego do NT e outras informações, veja a segunda parte desse livro, que trata do NT
  • Em palestras da SBB intituladas “Fórum de Ciências Bíblicas” e em conversas com membros da SBB presenciei diversas vezes a tentativa de desmerecer a ARC e exaltar a TLH (Tradução na Linguaguem de Hoje) e a NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje). A TLH e a NTLH, contudo, não caíram no gosto do público evangélico brasileiro, sendo pouco utilizadas na Igreja Brasileira.

por outros, tornando-se, inclusive, uma parte da edição chamada Correcta. Segundo os dados históricos, a edição Revista e Reformada também fez parte do leque das várias revisões que foram usadas para chegar à versão conhecida como Corrigida. Restou o frontispício da primeira impressão da tradução Almeida pela TBS uma expressão, ‘Segundo o original’, ou, em outras palavras, ‘Fiel aos textos originais’.

Ao contrário da ARA, que descaracterizou a versão de Almeida226, a ACF tem procurado manter os mesmos princípios de Almeida, fazendo ligeiras alterações ortográficas e vocabulares necessárias, como, por exemplo, a palavra caridade, em I Co 13, que foi atualizada devidamente para amor.227

 2.2.4 Almeida Revisada de acordo com os melhores textos

 Esta versão saiu em 1967 pela Imprensa Bíblica Brasileira e fazia questão em destacar que era baseada nos “melhores textos”228 hebraicos, aramaicos e gregos, muitos erros do TC (Texto Crítico) acabaram por fazer parte dessa versão, como por exemplo, o nome de Asafe na genealogia de Jesus Cristo em Mateus 1.7. Mesmo assim, foi e ainda é exaltada pelos defensores do TC e em muitos manuais e dicionários teológicos.

 

Trecho da Almeida Revisada de acordo com os melhores textos:

6 E a Jessé nasceu o rei Davi

A Davi nasceu Salomão da que fora mulher Urias;

  • a Salomão nasceu Roboão; a Roboão nasceu Abias; a

Abias nasceu Asafe;

  • a Asafe nasceu Josafá; a Josafá nasceu Jorão; a Jorão nasceu Ozias; (Mt 1.6-8)

 

                                               

  • Hoje a SBB registrou a logomarca RA (Revista e Atualizada), eliminando até mesmo o nome Almeida da Versão, assim como a marca RC (Revista e Corrigida), mais uma vez eliminando o nome Almeida. Além disso há nessa versão diversos colchetes [] no NT indicando que a passagem em questão não consta do melhores textos gregos
  • Para a definição dos princípios da ACF e as atualizações, ver prefácio da ACF com mapas e referências, publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil
  • Para uma discussão sobre a origem e teorias a respeito do texto grego do NT ver última parte desse livro

No afã de seguir literalmente o texto crítico da UBS, esta versão acabou por repetir os erros do texto, colocando Asafe como filho de Abias e pai de Josafá; na verdade, o nome correto é Asa, conforme está na esmagadora maioria dos manuscritos gregos. A chamada “melhores textos” deveria ser chamada “piores textos”.229

 

2.2.5 Edição Contemporânea de Almeida

             

 Esta versão foi publicada pela Editora Vida utiliza o nome Almeida, mas também utiliza-se de outros princípios de crítica textual e de tradução, se bem que mantenha muitas das formas da antiga Almeida, é um texto um tanto quanto truncado, misturando o texto grego da United Bible Society (Texto Crítico – TC), com o Textus Receptus (TR)230.

 O prefácio dessa versão nos traz as seguintes palavras (Edição Contemporânea de Almeida, p. v):

O texto bíblico utilizado nesta Bíblia, Edição Contemporânea da tradução de João Ferreira de Almeida (ECA), é produto de longos anos de trabalho empreendido por uma Comissão constituída de pessoas capazes, peritas no vernáculo, e oriundas de diferentes confissões evangélicas.

Diferindo de todas as outras versões ou edições da Palavra de Deus em português, esta Bíblia reúne vários fatores que a tornam especial. Partindo da Edição Revista e Corrigida de Almeida – uma das mais queridas do povo de fala portuguesa – os revisores se dedicaram a uma tarefa relamente grandiosa: produzir um texto limpo de arcaísmo e ambigüidades, e ao mesmo tempo preservar o estilo belo, ungido e admiravelmente soberano da obra que lhes seviu de base. O resultado desse fecundo esforço é o texto que o leitor tem em mãos.

 Abaixo colocamos um trecho da Versão Contemporânea de Almeida:

 1 O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. 2 Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas, 3

                                               

  • Mais detalhes sobre os problemas do texto crítico da UBS ver última parte desse livro que trata do texto do NT
  • Também chamado por alguns de Texto Tradicional (TT)

refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. 4 Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara  e o teu cajado  me consolam. 5 Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos. Unges a minha cabeça com óleo; o meu cálice transborda. 6 Certamente que a bondade e o amor me seguirão todos os dias da minha vida, e habitarei na casa do Senhor para sempre.

2.2.6 A Bíblia na Linguagem de Hoje e a Nova Tradução na

Linguagem de Hoje

 É a versão mais polêmica já lançada em português, causou calorosos debates tanto pelo lado dos defensores como dos críticos da versão. A BLH (Bíblia na Linguagem de Hoje) ou NTLH (Nova Tradução na Linguagem de Hoje) é uma nova proposta de tradução, adotando a tradução por equivalência dinâmica, ou seja, procura manter o sentido original da língua de origem, mas não de maneira formal e sim adaptando a tradução à língua receptora.231

Um dos maiores críticos da BLH foi o ex-padre Dr. Aníbal Pereira dos Reis que escreveu um livro somente contra essa versão, o livro tem tons sarcásticos e de grande indiginação contra a versão, conforme lemos (DOS REIS: 1976, p. 38):

Propalou-se que a SBB iria auscultar a opinião pública evangélica sobre o lançamento de uma tradução conjunta do Novo Testamento.  A verdade, contudo, foi bem outra!

A SBB resolveu convocar aquelas reuniões depois do acordo consumado e com fim de dirimir dúvidas quanto àquele lançamento.

Esses encontros de ‘DEBATES ESCLARECEDORES’, a começar do de São Paulo, em 5 de Março de 1968, foram agitados e as respostas dos representantes da SBB não satisfizeram os temerosos de conchavos ecumênicos.

Conhecendo-se a Constituição Dogmática Dei Verbum emanada do Concílio Ecumênico Vaticano II e os desígnios

                                               

231 O principal proponete das teorias de tradução por equivalência dinâmica é Eugene Nida

ecumenistas da hierarquia clerical expressos nos seus contactos com as Sociedades Bíblicas Unidas, tem-se a certeza de que a proposta da Tradução conjunta do Novo Testamento é o ponto de partida para o lançamento da denominada Bíblia Ecumênica que, sob a chancela do Imprimatur,232 enfeixará os APÓCRIFOS e ‘notas explicativas’ ao sabor vaticano.

Pacientemente a hierarquia do antievangelho prossegue minando e solapando as resistências com o intuito de se utilizar da SBB em sua ação ecumênica.

Na sua primeira investida saiu vitoriosa por duas razões: primeira porque levou ao descrédito a SBB diante de larga faixa evangélica e depois porque obteve o seu intento de chancelar com o seu Imprimatur o Novo Testamento divulgado por aquela instituição.

E vitoriosa, ainda, porque agora está segura de poder contar com parte da diretoria da SBB empenhada em confundir os crentes.

Aliás, este fato pode-se constatar desde as suas primeiras manifestações favoráveis aos desígnios da

CNBB.233

Em sua circular de 15 de Fevereiro de 1968, dizem tratar-se da TRADUÇÃO conjunta do Novo Testamento.

 Realmente a Bíblia na Linguagem de Hoje da SBB, embora defendida calorosamente por seus tradutores, pela SBB e por alguns tradutores modernos com uma das melhores versões em português, beira a paráfrase, ou seja, parece mais um comentário do que uma tradução. Alegando ser uma Bíblia na Linguagem do povo, ironicamente, foi repudiada pelo povo que continua usando a velha e boa Almeida e que a entende muito bem, obrigado!

 

2.2.7 Nova Versão Internacional e a New International Version

Filha da Versão Inglesa denominada New International Version, a NVI (Nova Versão Internacional)234 ainda que a NIV possa ser

                                               

  • O imprimatur é a autorização do Vaticano para a leitura de qualquer livro que só e conferido a livros autorizados pela igreja , romana, estranhamente a BLH recebeu esse selo da igreja católica romana
  • A CNBB, Convenção Nacional dos Bispos do Brasil é o órgão do Vaticano no Brasil, responsável por tudo o que diz respeito à igreja romana em nossa terra
  • Estranho nome para uma versão, como uma versão pode ser internacional? Se é

considerada uma nova tradução, tomou muito emprestado da versão inglesa, principalmente no que diz respeito a crítica textual. A comissão de tradução no diz o seguinte sobre a sua versão (NVI, prefácio, p. viii):

A NVI define-se como tradução evangélica, fiel e contemporânea. Seu alvo é comunicar a Palavra de Deus ao leitor moderno com tanta clareza e impacto quanto os exercídos pelo texto bíblico original entre os primeiros leitores. Por essa razão, alguns trechos bíblicos foram traduzidos com maior ou menor grau de literalidade, levando sempre em conta a compreensão do leitor. O texto da NVI não se caracteriza por alta erudição vernacular, nem por um estilo muito popular. Regionalismos, termos vulgares, anacronismos e arcaísmos foram também deliberadamente evitados.

Quanto ao texto original, a NVI baseou-se no trabalho erudito mais respeitado em todo o mundo na área de crítica textual, tanto no caso dos manuscritos hebraico e aramaico do Antigo Testamento (AT)235 como no caso dos manuscritos gregos do Novo Testamento (NT). Não obstante, a avaliação das opções textuais nunca foi acrítica. Estudiosos da área poderão constar que, tanto nas notas de rodapé como no texto bíblico, a comissão foi criteriosa e sensata em sua avaliação.

A NIV tem causado grande polêmica no meio evangélico brasileiro, alguns estudiosos brasileiros, principalmente os envolvidos em sua tradução, a tem defendido como a melhor versão da Bíblia em língua portuguesa, alguns defensores radicais da Almeida Corrigida Fiel dão a

                                                                                                                      

versão, é traduzida para alguma língua, e , portanto, não pode ser Internacional !

  • Em Os 12.4, lemos na NIV “Ele lutou com o anjo e saiu vencedor, chorou e implorou o seu favor. Em Betel encontrou a Deus, que ali conversou com ele” a RA traz: “…e ali falou conosco”, a RC traz: “… e ali falou conosco” a KJV diz: “…and there he spake with us”, a Reina Valera Revisada diz “… y allí habló con nosotros” nenhum texto hebraico apoia essa leitura, nem mesmo a BHS (Biblia Hebraica

Sttutgartensia, Editio quinta emendata) apoia essa leitura, pois traz: “ WnM[‘( i rBdEï y: > ~vw’Þ >

…”  [e ali falou conosco] o aparato crítico é o seguinte wMO [i Ö L Mssã , ou seja, a palavra  WnM[‘( i é substituída por wMO [i  em manuscritos da Recensão Luciânica da Septuaginta e na

Versão Siríaca, ou Peshitta, com base somente em duas testemunhas manuscritas fazer essa escolha não pode se considerar que se seguiu o “…trabalho erudito mais respeitado”, parece mais influência da preferência particular dos tradutores da NIV (New International Version americana).

ela o anátema como Bíblia do Inferno.236

Segundo SAIÃO (2001, p. 38-39), os envolvidos na Comissão de Tradução na ocasião do término do projeto são:

Abraão de Almeida

Betty Bacon

Carl J. Bosma

Carlos Osvaldo C. Pinto

Estevan F. Kirschner

Luiz Alberto T. Sayão

Martin Weingaertner

Odayr Olivetti

Paulo Mendes

Randall K. Cook

Rubens C. Damião

Russell P. Shedd

Outros tradutores tal como: Antônio Gilberto, Ênio R. Mueller, Humberto G. de Freitas, Richard J. Sturz e Rudi Zimmer, participaram durante uma do projeto. Não podemos negar que os envolvidos na Comissão de Tradução da NVI são pessoas respeitáveis e alguns grandes homens de Deus, conhecedores profundos da Bíblia e das línguas originais. Contudo, a defesa que muitos deles têm feito da sua versão não é muito diferente da oposição dos mais radicais que rejeitam essa e qualquer outra tradução.237

Trecho da NVI em português:

1 Quando você se assentar para uma refeição com alguma autoridade, observe com atenção quem está diante de você, 2

                                               

  • Para a visão radical acesse: http://solascriptura-tt.org/ , para uma defesa da NVI ver SAYÃO, Luiz. NVI, A Bíblia do século 21. São Paulo: Editora Vida,  2001
  • Entendemos que o trabalho de ajustes na versão de Almeida feita pela Sociedade Bíblica Trinitariana é mais útil do que a multiplicação de versões que acabam por confundir o povo evangélico e causar mais divisões do que contribuição, já temos versões demais, no início do evangelho no Brasil a versão de Almeida era a única versão utilizada por todos os crentes de fala portuguesa em nossas terras, foi assim por quase trezentos anos, muitos se converteram, desde as classes menos favorecidas até eruditos. Essa defesa exarcerbada de novas versões da Bíblia nos parece mais uma forma de ganhar dinheiro com o livro sagrado do que preocupação com a salvação das almas perdidas.

e encoste a faca à sua própria garganta, se estiver com grande apetite. 3 não deseje as iguarias que lhe oferece, pois podem ser enganosas.

 

2.3 Versões Católicas Romanas

             Nada melhor do que um ex-sacerdote católico para nos contar sobre as versões da igreja romana e sua posição quanto à Bíblia (DOS REIS:

1976, p. 32-33):

O papa Paulo IV, pela Bula Domini Gregis proibiu – e excomungava quem a usasse – a tradução vernácula das Sagradas Escrituras.

E a excomunhão naquele tempo traduza-se por fogueira da ‘santa’ inquisição!

Paulo V, à margem da lista das edições da Bíblia em vernáculo constante no Index Librorum Prohibitorum, apôs a seguinte observação: ‘Não se pode ler, imprimir-se ou possuir-se, sem licença do Santo Ofício, as edições da Bíblia em língua vulgar’.

No rastro das normas decorrentes do Concílio de Trento, de Paulo IV e de Paulo V, o papa Pio VII, em sua carta Magno et Acerbo, de 3 de Setembro de 1816, ao ocupar-se da então recente fundação da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, em 1804, e da Sociedade Bíblica Americana, em 1816, hostilizou as traduções vernáculas do Livro Santo, como ‘a mais astuta das invenções, pela qual se abalam os fundamentos da religião e se levam os fiéis a beberem nessas fontes o letal veneno’.

E quando as Sociedades Bíblicas começaram a deslanchar a difusão dessas versões, aterrado, o pontífice romano Leão XII, na sua encíclica Ubi Primum, de 5 de Maio de 1824, chama aquelas Sociedades Bíblicas de PESTE.

O papa Gregório XVI pela sua encíclica Inter Praecipuas, de 6 de Maio de 1844, conserva-se em igual propósito de afrontar às Sociedades Bíblicas.

A encíclica Qui Pluribus promulgada em 9 de Novembro de 1846 por Pio IX sustenta acesa a luta. E no § IV do Syllabus, Pio IX nivelou aquelas Sociedades ao comunismo, ao socialismo e às sociedades clandestinas ‘porque semelhantes pestes devem ser reprovadas muitas vezes e com as expressões mais graves’.

O seu sucessor imediato, Leão XIII, apesar da expectativa causada nos meios evangélicos pela sua encíclica Providentissimus Deus, de 18 de Novembro de 1893, mandou incluir no Index Librorum Prohibitorum, em 25 de Janeiro de 1897, as versões da Bíblia publicadas pelas Sociedades Bíblicas.

As labaredas inquisitoriais, os anátemas papais, as excomunhões dos hierocratas jamais conseguiram barrar o entusiasmo dessas Sociedades.

Quanto mais perseguidas mais se estimulavam na divulgação da Bíblia e na defesa da sua integridade doutrinária. Repeliam qualquer instigação de corrutela do texto mesmo a título de atualização da linguagem. Mesmo a pretexto de mais fácil compreensão por parte do povo ignorante com o intento de favorecer o evangelismo.

  Hoje, a igreja romana procura negar essas afirmações e até diz incentivar a leitura das Escrituras, na prática, contudo, essa leitura das Escrituras é feita sob o “cabresto” de Roma238 negando a livre interpretação das Escrituras defendida pela Reforma Protestante.239

 

2.3.1 Edição Pastoral

  Produzida em 1990 pela Sociedade Bíblica Católica Internacional e Paulus é uma edição com um forte viés da Teologia da Libertação, focando uma leitura libertária e popular das Escrituras. Como a maioria das versões católicas, segue uma linha liberal de interpretação da Bíblia, negando muitas vezes a autoria tradicional de Moisés, Daniel, Isaías, isso é claramente percebido nas introduções dessa versão que assume inteiramente a crítica liberal do século XIX ironicamente formulada pelos protestantes.240

 

 

                                               

  • Prova disso é que todas as edições da bíblia católica contém notas conduzindo para interpretação romana dos textos
  • Sobre a visão católica das escrituras ver:

http://www.mundocatolico.org.br/doutrina.htm

  • Maiores detalhes sobre a crítica liberal iremos tratar na segunda parte desse livro

      Trecho da Bíblia Sagrada Edição Pastoral:

Gênesis 1.1, 2

 1 No princípio, Deus criou o céu e a terra. 2 A terra estava sem forma e vazia; as trevas cobriam o abismo e um vento impetuoso soprava sobre as águas.

 

2.3.2 A Bíblia de Jerusalém

Feita por um grupo de estudiosos da École Biblique, houve participação de estudiosos católicos e protestantes, conforme lemos em BJ (20002, Apresentação):

Após três anos de árduo e intenso trabalho, realizado por uma equipe de exegetas católicos e protestantes e por um grupo de revisores literários, pudemos entregar ao público a tradução do Novo Testamento. Cinco anos mais tarde, as mesmas equipes tinham ultimado a tradução do Antigo Testamento. Assim os leitores puderam ter acesso à Bíblia de Jerusalém em sua edição integral.

Abaixo segue um trecho dessa tradução:

 1 No princípio, Deus criou o céu e a terra. 2 Ora, a terra estava vazia e vaga, as trevas cobriam o abismo, e um sopro de Deus agitava a superfície das águas. (Gn 1.1-2)

 

2.3.3 Matos Soares

 O Padre Matos Soares fez uma tradução a partir da Vulgata Latina, a primeira edição saiu pela Edições Paulinas em setembro de 1976, conforme nos conta HENDRICKSON (2006, p. 310a):

Coube ao padre Matos Soares, realizar a tradução mais popular da Bíblia entre os católicos na atualidade. Publicada em 1930 e baseada na Vulgata, recebeu apoio papal em 1932 através de documento emitido pelo Vaticano. Quase metade dessa tradução contém notas explicativas dos textos, defendendo dogmas da Igreja Romana.

A versão de Matos Soares se tornou tão popular que foi preciso imprimir uma quantidade considerável a cada vez que as edições se esgotavam, assim: 1.ª edição setembro de 1976= 66.000 exemplares; 2.ª Ed. Dezembro de 1976 = 100.000; 3.ª Ed. Fevereiro de 1977 = 100.000; 4.ª Ed. Novembro de 1977 = 170.000 e assim sucessivamente.

Abaixo segue um trecho dessa versão, com a respectiva nota de rodapé (SOARES: 1982, p. 96b):

3 Não terás outros deuses diante de mim. 4 Não farás para ti imagem de esultura, nem figura alguma do que há em cima no céu, e do que há baixo na terra, nem do que há nas águas debaixo da terra. 5 Não adorarás tais coisas, nem lhes prestarás culto; eu sou o Senhor teu Deus forte e zeloso, que vinga a iniquidade dos pais nos filhos, até à terceira e quarta geração daqueles que me odeiam; 6 e que usa de misericórdia até mil gerações com aqueles que me amam e guardam os meus preceitos.

 

Nota:

3-5. Aqui é rigidamente inculcado o monoteísmo, ou seja, o culto do único e verdadeiro Deus, e detesta-se a idolatria, à qual o povo era tão exposto e inclinado. É a razão por que é proibida a produção de imagens. Hoje, inexistindo esse perigo, são permitidas, pois são um auxílio válido para o culto exterior.241

 2.4 Versão Judaica Bíblia Hebraica em Português

 A comunidade judaica, através da Editora e Livraria Sêfer, produziu uma versão da Bíblia Hebraica traduzida para o português do Brasil. Em algumas passagens, principalmente de cunho messiânico para os cristãos, são feitas verdadeiras paráfrases para validar a teologia rabínica, conforme é possível perceber na seguinte citação de Isaías 52.13-53.12:

 13 Eis que há de prosperar Meu servo (o povo de Israel); será exaltado e há de se elevar bem alto. 14 assim como antes, multidões ficavam estarrecidas ao vê-lo, (dizendo:)

 

                                               

241 Novamente notamos que todas as versões da bíblia romana em português tem comentários voltados para defenderem as doutrinas católicas romanas

‘Sua aparência está desfigurada e não parece humana suaforma’. 15 Assim, muitas nações admirar-se-ão depois, e reis se calarão perante ele, porque verão o que jamais lhes fora previsto e perceberão o que nunca haviam escutado: 53.1 Quem teria acreditado no que nós (as nações) ouvimos, e para quem foi revelada a ação do Eterno? 2 Porque ele (o povo de Israel) brotou como planta tenra e como raiz em terra seca. Não tinha nem forma nem beleza; era visível que não tinha boa aparência; quem o apreciaria? 3 Foi depreciado e abandonado por todos, como uma pessoa atormentada e constantemente enferma, como alguém de quem escondemos nossa face, sendo desprezado e desconsiderado. 4 Na verdade, eram os nossos sofrimentos (das nações) que (Israel) suportava, e as dores que o oprimiam, mas nós o considerávamos um ser aflito, golpeado e ferido por Deus. 5 Ferido estava, porém, por nossas transgressões, e oprimido por nossas iniqüidades; seu penar era para nosso benefício e, através de suas chagas (seu exílio), fomos curados. 6 Todos nós, como ovelhas (sem um pastor), nos desencaminhamos. Cada qual voltou-se para seu próprio caminho e (somente) sobre ele (Israel) fez o Eterno recair a iniqüidade de todos nós. 7 (Israel) foi oprimido e afligido, mas calou e não se pronunciou. Como cordeiro que é levado para a matança, e como ovelha que fica muda ante seus tosquiadores, não abriu sua boca. 8 Com opressão e juízo iníquo foi aprisionado; caso alguém (das nações) argumentou para com sua geração: ‘Ele (Israel) foi exilado da terra dos vivos pela transgressão do meu povo, e por isso recebeu esse duro golpe? 9 E seu túmulo foi feito entre os dos malévolos, e sua tumba feita pelos poderosos, embora não tivesse praticado violência nem houvesse mentira em sua boca. 10 Contudo, aprouve ao Eterno oprimi-lo para testar se sua alma se ofereceria como restituição, para que pudesse ver prolongados os dias de sua semente, e sentir prosperar, por seu intermédio, os desígnios do Eterno. 11 Ele percebeu o propósito e aceitou o sofrimento de sua alma. Por esta compreensão, fez reconhecer o Justíssimo perante todas as nações, suportando as iniquidades delas. 12 Por isto, das nações separarei para ele uma porção e entre os poderosos receberá despojo, porque expôs sua alma à destruição e se deixou enumerar entre os transgressores, pois mesmo suportando os pecados de tantos, intercedeu pelos transgressores. [1]

Infelizmente nossos amigos judeus modernos, não seguiram seus antepassados massoretas, que considerando o texto da Bíblia Hebraica tão sagrado, não alteraram nem mesmo a estrutura linguística do hebraico e inseriram as vogais acima e abaixo do texto, e os comentário puseram no rodapé, mantendo o texto que receberam praticamente intacto.243

Como é perceptível na citação acima, há forte influência da teologia rabínica para induzir o leitor a ler as Escrituras Sagradas com “os óculos coloridos da tradição judaica”.244 (Que Deus proíba).

 

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BÍBLIA CONTEMPORÂNEA DE ALMEIDA. São Paulo: Editora Vida,

(verificar data)

BÍBLIA    DE    ESTUDO    DE    AVIVAMENTO    E    RENOVAÇÃO

ESPIRITUAL. São Paulo: Socidade Bíblica do Brasil, 2009

BÍBLIA SAGRADA, A. Almeida Corrigida Fiel. São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana, 2007

BÍBLIA HEBRAICA. Por David Guintsburg. Londres. São Paulo: Sociedade Bíblica Trinitariana. 1894/1998

BÍBLIA HEBRAICA STUTTGARTENSIA. São Paulo / Stuttgart:

Sociedade Bíblica do Brasil/Deutsche Bibelgesellschaft, 1997

BÍBLIA HEBRAICA. São Paulo: Editora e Livraria Sêfer, 2006

                                               

  • Veja o capítulo abaixo sobre o texto massorético
  • Outro bom exemplo de influência teológica nessa versão está em Isaías capítulo 9

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Português. Nova Edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002

BÍBLIA SAGRADA EDIÇÃO PASTORAL. Sociedade Bíblica Católica

Internacional. São Paulo: Paulus, 1990

BÍBLIA SAGRADA EDIÇÕES PAULINAS. Tradução da Vulgata pelo Pe. Matos Soares. São Paulo: Edições Paulinas, 1982

BÍBLIA SAGRADA NOVA VERSÃO INTERNACIONAL. São Paulo:

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[1] EDITORA E LIVRARIA SÊFER. Bíblia Hebraica, p. 439-440, Is 52.13-53.12

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