Rotinas visuais e TEA

Rotinas visuais e TEA

Emunah Editora

e alguns anos para cá, os professores têm sido orientados a elaborar e expor para seus alunos uma rotina diária. Esta deveria conter as disciplinas na ordem na qual seriam ensinadas durante o dia letivo. No meu caso em particular, gostava de especificar também a atividade de acordo com cada uma delas. Para mim, era importante que o estudante obtivesse mais que uma visão geral da aula.

Kátia Cristina Tavares Ribeiro janeiro 15, 2026 autismo

Kátia Cristina Tavares Ribeiro
De alguns anos para cá, os professores têm sido orientados a elaborar e expor para seus alunos uma rotina diária. Esta deveria conter as disciplinas na ordem na qual seriam ensinadas durante o dia letivo. No meu caso em particular, gostava de especificar também a atividade de acordo com cada uma delas. Para mim, era importante que o estudante obtivesse mais que uma visão geral da aula.

Ela é um recurso que auxilia a criança típica na leitura, traz segurança por conta da previsibilidade, além de ensiná-la que uma tarefa bem feita requer organização. E as etapas sendo cumpridas coerentemente trazem aprendizados que vão além das matérias escolares convencionais.

Beneficiam a todas as pessoas. Quando registramos uma lista de tarefas para cumprir durante o dia, estamos usando a rotina para organizar nosso tempo, além de estabelecermos o que nos é prioridade naquele período. Podem se apresentar tanto de forma escrita quanto visual. Distintas ou juntas, são organizadas e construídas de acordo com um contexto e objetivo final.

No caso da pessoas com TEA, a rotina visual é um instrumento que lhe possibilita uma série de benefícios. Ela promove previsibilidade, o que para o TEA funciona como um regulador da ansiedade. Organizada de maneira sequenciada e clara, auxilia na realização de atividades e na transição para a seguinte.

Por serem visuais facilitam a leitura, pois devem conter ilustrações reais, com imagens mais simples, somente com elementos essenciais para a realização de cada tarefa. Lembrando que num ambiente carregado de informações, o indivíduo com TEA tem dificuldade de processamento sensorial; logo se uma imagem contém muitos elementos dentro de um contexto, a pessoa tende a ficar ansiosa e confusa. Assim a rotina não cumprirá sua função.

É bom que seja elaborada com referências reais do ambiente que o TEA frequenta, seja escola, casa, clínica. Na medida do possível utilizar fotos. Antes de meu filho começar as sessões de musicoterapia, eu solicitei para o terapeuta que me enviasse as fotos do percurso no prédio até chegar a sala de terapia. Preparei uma pasta onde organizei a sequência e mostrei a ele, preparando-o para aquele dia. Desta forma, diminuiria a ansiedade frente a um ambiente estranho. Lembro-me também de um relato de uma pessoa que acompanhava meu filho na escola regular, quando ela me disse que ele já cumpria a rotina com uma certa rapidez. Ele sabia o que deveria fazer. E quando isto acontece é hora de aumentar um pouco a demanda, dando mais um passo na complexidade da atividade ou até mesmo inserindo outras.A rotina também deve levar em conta as preferências da pessoa. Isto vai conduzi-la a um maior engajamento no cumprimento da tarefa. Conforme vai se adequando, seu repertório deve ser ampliado, pois a finalidade é que consiga generalizar comportamentos adequados em outros ambientes e contextos.

Com um formato prático, como um quadro, painel, livro, aplicativos, deve atender as necessidades do indivíduo atípico. Fotos da própria pessoa relacionada com a execução da atividade faz com que ela se perceba enquanto agente naquela situação. O uso de cartões de transição também desempenham um papel fundamental no controle da ansiedade e do estresse.

Outro benefício que a rotina traz é a gestão do tempo, que, para o indivíduo com TEA, está muito relacionada com a questão da espera. Ele vai aprendendo que tem tempo certo para cada coisa. Este é um trabalho lento, que deve ser realizado por quem cuida ou ensina, de forma tranquila e estruturada, para que não desencadeie comportamentos inadequados e disruptivos.

A comunicação também é estimulada através das rotinas visuais. Usei uma sequência visual quando meu filho aprendeu a usar o banheiro. No começo, eu lia, mostrava e explicava cada passo para ele. Depois de um tempo, ele cumpriu, olhou para a última figura e para mim dizendo “Muito bem!”, que era o elogio depois de realizada a tarefa. Então, imediatamente com alegria eu disse “Muito bem, filho!”. Atualmente ele não precisa mais destas figuras, conquistando independência nesta questão.

As rotinas visuais desenvolvem habilidades como organização, planejamento e até mesmo resolução de problemas. Figuras, recursos tecnológicos são grandes aliados, mas o trabalho de terapeutas ocupacionais tornam sua implementação mais eficaz.

Enfim, a rotina visual é a ferramenta com a qual tanto o cotidiano quanto a aplicação das terapias são organizados de maneira a contribuir para uma melhor qualidade de vida para a pessoa com TEA, possibilitando que ela vença desafios inerentes ao transtorno, quanto sua inclusão em grupos e atividades sociais.


Kátia Cristina Tavares Ribeiro

Pós graduanda em TEA pela Academia do Autismo

Professora de Educação Básica

Mãe de autista

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